São Paulo só perdeu para o Rio Grande do Sul no ranking das 500 melhores cidades

Mais da metade dos municípios paulistas ganhou conceitos A ou B

Wilson Tosta e Isadora Peron

17 de março de 2012 | 18h00

O Estado de São Paulo só perdeu para o Rio Grande do Sul no ranking das 500 melhores cidades do País quando o assunto é gestão fiscal. São 102 paulistas e 138 gaúchas. Mais da metade dos municípios paulistas (339, ou 53,9%) ganhou conceitos A ou B - com gestões consideradas excelentes ou boas.

 

Olhando apenas as 100 melhores municípios do País, São Paulo emplacou 31 e, entre os 10 primeiros do País, 6 são paulistas: Poá (0,9575), Baureri (0,9413), Piracicaba (0,9201), Caraguatatuba (0,9145), Birigui (0,8862) e Paraibuna (0,8850). Como características mais gerais das cidades paulistas, os pesquisadores da Firjan destacaram orçamentos pouco comprometidos com salários, boa administração de restos a pagar e bom nível de investimentos.

 

Poá, a 34 km da capital, é primeira colocada estadual e está em segundo lugar em nível nacional. Com pouco mais de 100 mil habitantes, a cidade - que é uma estância hidromineral - levou nota máxima no IFGF Investimento Receita Própria. Segundo o prefeito Francisco Pereira de Sousa (PDT), as áreas priorizadas são educação, saúde e infraestrutura.

 

A segunda colocada do Estado é Barueri, na região metropolitana de São Paulo. Conhecida por abrigar um dos bairros mais famosos do Brasil, Alphaville, e por ter um dos PIBs mais alto do País (em 2009, ocupava o 14.º lugar), o município se destaca pela boa gestão que faz da sua dívida. De acordo com o prefeito Rubens Furlan (PMDB), o segredo é simples: tratar o governo como se fosse uma empresa. "Quando a receita sobe, nós aumentamos o investimento. Se ela cai, nós cortamos. Nós nunca investimos mais que a nossa capacidade".

 

Piracicaba, no interior paulista, vem em terceiro lugar e também tem como meta, segundo o prefeito Barjas Negri (PSDB), controlar os gastos de custeio e de pessoal para ter mais dinheiro para investir: "A cidade está um canteiro de obras", gaba-se, destacando a construção de um hospital regional.

 

Capital. Muita receita própria e poucos gastos com pessoal garantiram à cidade de São Paulo o quarto lugar, entre as capitais, no IFGF em 2010. O resultado de 0,797, conceito B, representou um avanço de 8,1% sobre 2006, apesar do alto custo da sua dívida renegociada com a União.

Um dos resultados dessa combinação, que ajudou a cidade a subir do 427.º para o 147.º lugar nacional no indicador no período, resultou, no entanto, em um baixo IFGF Investimentos - 0,4654. Em 2006, o mesmo índice fora ligeiramente maior.

 

"Entre os problemas fiscais da capital paulista, a dívida parece ser o maior, haja vista que as despesa com juros e amortizações consomem mais de 13% da receita líquida real e com isso, absorvem parte importante do orçamento", diz o estudo.

 

Curiosamente, segundo os pesquisadores da Firjan, a situação do município melhorou, porque em 2010 o IFGF Custo da Dívida foi 0,1522, um aumento de 806% sobre o indicador de 0,0168 em 2006 - em ambas as ocasiões, nível crítico. Em 2010 a dívida paulistana com a União, renegociada por IGP-DI mais 9% anuais, chegara a R$ 51,7 bilhões.

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