São Bernardo comemora com missa o 1º de Maio

A Missa do Trabalhador, na Igreja Matriz de São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo, reuniu hoje, 1º de maio, cerca de mil pessoas na comemoração do Dia do Trabalho. O ato foi celebrado por dom Décio Pereira, bispo da diocese de Santo André. Como ocorre há cerca de 20 anos, participaram da missa sindicalistas e políticos, entre eles os candidatos do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e ao governo paulista, o deputado federal José Genoíno.Os temas predominantes na missa foram as questões da Alca e o projeto, retirado da Câmara, de alteração da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). "Estão tirando os poucos direitos que o trabalhador tem na CLT, como o 13º salário, as férias remuneradas, o descanso semanal e a licença maternidade, jogando essas conquistas para uma negociação privada entre patrões e empregados", disse Frei Betto, um dos religiosos que estava no altar, participando da celebração da missa.Segundo ele, os trabalhadores devem se unir para lutar contra a aprovação do projeto de reforma da CLT no Congresso Nacional. Frei Betto também criticou o que chamou "imposição" dos EUA da Área de Livre Comércio das Américas. "Não podemos permitir o nascimento da Alca nos moldes atuais porque acabaria com o Mercosul, seríamos o quintal dos EUA, significaria o extermínio dos povos indígenas da América Latina, a morte dos camponeses, a privatização total, mais pobreza e mais miséria", disse.Frei Betto encerrou seu discurso lembrando que a CNBB fez uma cartilha para os eleitores, possibilitando a reflexão sobre a importância das próximas eleições. "Ela aponta critérios, rumos, para que por meio do voto se possa mudar o modelo econômico e a direção política". afirmou. O religioso disse que gostaria de ter a presença de todos os candidatos na missa e elogiou Lula, relembrando a origem sindicalista do candidato do PT à Presidência. "A cabeça pensa onde os pés pisam e me alegra que o ABC tenha gestado um candidato metalúrgico. Esperamos que chegando lá (na Presidência da República), ele possa ser fiel (às origens)", disse Frei Betto. Ele criticou ainda a desigualdade social do país, que coloca o Brasil ao lado de Serra Leoa, "apesar de ser o sexto produtor mundial de alimentos".

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