Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Santos Cruz critica uso de montagem com generais em convocação para ato anti-Congresso

Ex-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República denunciou o uso do Exército em imagem que circula em redes bolsonaristas

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2020 | 22h58

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, criticou, nesta segunda-feira, o uso do Exército para uma convocação de atos de rua contra o Congresso. No Twitter, ele classificou como “montagem irresponsável” o compartilhamento de fotos de quatro militares do governo acima da frase: “Fora Maia e Alcolumbre”. A montagem tem circulado em redes sociais de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.

"Não confundir o Exército com alguns assuntos temporários. O uso de imagens de generais é grotesco. Manifestações dentro da lei são válidas." Minutos antes, o general havia postado um texto diferente, em que não citava a palavra "montagem" e afirmava: "Confundir o Exército com alguns assuntos temporários de governo, partidos políticos e pessoas é usar de má fé, mentir, enganar a população."

A convocação para o protesto ganhou força semana passada, após o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, dizer, durante uma reunião que teve o áudio vazado, que Bolsonaro não deve ceder a “chantagens” do Congresso. Ele também afirmou que o presidente deveria “convocar o povo às ruas”. Heleno é um dos generais que aparecem na montagem, ao lado do vice-presidente Hamilton Mourão e do deputado federal General Peternelli.

Na reunião do último dia 18, Heleno estava irritado com a possibilidade de o Congresso derrubar vetos do governo Bolsonaro, entre eles o orçamento impositivo. Segundo ele, as "insaciáveis reivindicações" de parlamentares por fatias do Orçamento prejudicam a atuação do Executivo e vão contra os preceitos de um regime presidencialista.

A fala de Heleno provocou a resposta de parlamentares. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM) qualificou o chefe do GSI como "radical ideológico". O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também criticou o comentário de Heleno. “Nenhum ataque à democracia será tolerado pelo Parlamento", afirmou.

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