ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO
ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO

Santos Cruz assume responsabilidade por divulgação de vídeo pró-ditadura

Segundo o ministro da Secretaria de Governo, erro foi de um funcionário com 26 anos de serviço. 'Trabalhou com governo Itamar, governo do Lula, da Dilma. Não tem nenhuma conotação ideológica, não foi uma coisa proposital'

Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2019 | 18h25

BRASÍLIA -  O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto Santos Cruz, assumiu nesta terça-feira, 16, a responsabilidade pela divulgação de um vídeo que defendia o golpe militar de 1964 por meio de rede social oficial do Palácio do Planalto. 

O conteúdo foi publicado no último dia 31 de março, quando o evento completou 55 anos. De acordo com Santos Cruz, o disparo do material foi um erro de procedimento interno da Secretaria de Comunicação da Presidência. "Foi erro de serviço de uma pessoa que não tem nenhuma má-fé no procedimento, e, por isso, eu assumo totalmente a responsabilidade. Eu venho de uma instituição em que o chefe é responsável pelo que acontece e pelo que deixa de acontecer", disse.

O ministro deu as explicações em audiência pública na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara. O requerimento para convidar Santos Cruz foi apresentado pela deputada Érika Kokay (PT-DF).

O militar contou que um funcionário recebeu o vídeo e repassou para o servidor responsável pelas postagens na rede social. Este, por sua vez, teria entendido que o vídeo era uma peça oficial e, então, publicou na rede oficial. 

"Ontem, fiz uma reunião com todos os funcionários da Secom. Foi um funcionário com 26 anos de serviço. Trabalhou com governo Itamar, governo do Lula, da Dilma. Não tem nenhuma conotação ideológica, não foi uma coisa proposital. Tranquilamente um erro operacional do serviço sem nenhuma ideia de divulgação por motivação ideológica", disse. 

Aos deputados, o ministro afirmou que só viu o vídeo completo hoje e disse que no dia em que ele foi distribuído, chegou a achar que era conteúdo sobre a reforma da Previdência. 

Na época, a divulgação do vídeo foi duramente criticada até mesmo por aliados do governo. A narrativa do material usa a mesma definição adotada pelo presidente Jair Bolsonaro e alguns de seus ministros militares para classificar o fato histórico.

Para eles, a derrubada de João Goulart do poder, que marcou o início do período de 21 anos de ditadura militar no Brasil, foi apenas um movimento para conter o avanço do comunismo no País. "O Exército nos salvou. O Exército nos salvou. Não há como negar. E tudo isso aconteceu num dia comum de hoje, um 31 de março. Não dá para mudar a história", diz o apresentador do vídeo. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.