Santiago alega divergências, mas sai do PT de olho em 2008

Recém-filiado ao PDT, deputado lista queixas desde reforma da Previdência; partido não levará caso ao TSE

Denise Madueño, O Estadao de S.Paulo

06 Outubro 2007 | 00h00

Fundador do PT em 1980, o deputado Paulo Rubem Santiago (PE) está há menos de 72 horas no PDT. O ex-petista vinha colecionando dissabores com a bancada de seu partido havia tempo e é capaz de citar uma longa lista de reclamações, que inclui o apoio petista à reforma da Previdência feita pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à concessão de status de ministro ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, além da postura ética da legenda no episódio do mensalão. Santiago chegou a ser punido pelo PT quando votou contra a reforma. Ele diz que pode provar e argumentar na Justiça Eleitoral que o partido não cumpriu com o programa que defendeu e, por isso, há justificativas para sua mudança partidária. Mas não vai precisar: o líder do PT na Câmara, Luiz Sérgio (RJ), adiantou que o partido não vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O deputado está em seu segundo mandato, mas já foi, por duas vezes, vereador e deputado estadual. A mudança de partido teve também um episódio regional. Pré-candidato à Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes (PE) no próximo ano, ele foi preterido no partido, que preferiu investir no deputado estadual André Campos, irmão do deputado Carlos Wilson (PT-PE), ex-presidente da Infraero. Antes disso, um episódio demonstrou que ele não tinha muito espaço na bancada. Escolhido para ser o relator da proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), acabou substituído por um parlamentar do PP sem aviso. Ficou sabendo no meio das negociações por deputados alheios à sua bancada. Apesar das críticas à política econômica do governo, Santiago se manteve na base. Foi insistentemente convidado a migrar para o PSOL, onde estão ex-companheiros petistas, como Chico Alencar (RJ) e Ivan Valente (SP), mas escolheu permanecer no apoio governista.

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