Wilson Pedrosa/Estadão
Wilson Pedrosa/Estadão

Santana cita Dilma em tentativa de delação, afirmam reportagens

Marqueteiro teria revelado à Lava Jato que recebeu do Palácio do Planalto recado sobre sua prisão

Fábio Fabrini, O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2017 | 17h00

Em suas negociações para fechar um acordo de delação premiada, o marqueteiro João Santana teria dito que recebeu recados da então presidente Dilma Rousseff de que seria preso pela Operação Lava Jato. A informação consta de reportagens publicadas pela revista Veja e pelo jornal Folha de S.Paulo neste fim de semana.

Nenhuma das reportagens afirma, porém, que o aviso teria partido da própria Dilma. Segundo a Folha, Santana teria atribuído o recado a um aliado da então presidente. Já a Veja afirma que o marqueteiro disse a interlocutores não saber se o alerta foi redigido por Dilma ou um assessor dela. Ele teria confirmado, porém, que a fonte do alerta seria o Palácio do Planalto.

Procurada, a assessoria de imprensa da ex-presidente informou que ela não pretende comentar as reportagens. O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo considerou a notícia “absurda”. “É absolutamente inverossímil que a presidenta tenha dado qualquer aviso desses até porque nem ela e nem eu tínhamos essas informações privilegiadas sobre operações da Polícia Federal”, afirmou.

 

Santana e sua mulher, Mônica Moura, foram responsáveis pelas campanhas presidenciais de Lula, em 2006 e de Dilma, em 2010 e 2014. Eles são investigados por suposto recebimento de dinheiro da empreiteira Odebrecht na Suíça. O casal foi preso em fevereiro de 2016 na Operação Acarajé, 23.ª fase da Lava Jato. Na época, estavam na República Dominicana, trabalhando na campanha presidencial daquele país. Eles voltaram ao Brasil e se entregaram à Polícia Federal.

O casal ficou preso até agosto, quando pagou fiança de cerca de R$ 31 milhões e deixou carceragem da PF em Curitiba. Nesta época, seus advogados deram início a negociações com os promotores da Lava Jato para viabilizar uma delação premiada, na qual contariam o que sabem sobre o envolvimento de terceiros em atividades criminosas em troca de benefícios no cumprimento de eventual pena.

As negociações, porém, não prosperaram, já que a Lava Jato obteve informações sobre pagamentos irregulares a Santana no exterior por outras fontes. As menções ao suposto recado do Planalto teriam sido feitas para convencer os procuradores de que o casal tem informações ainda inéditas a revelar.

Duda. O marqueteiro Duda mendonça também teria procurado o MP propondo acordo depois das notícias de delações de executivos da Odebrecht. Segundo a revista Veja, Duda irá revelar que em 2004 foi orientado por Antonio Palocci a acertar suas contas pelas campanhas de quatro candidatos petistas com Emílio Odebrecht, que aceitou pagar a dívida de R$ 15 milhões após reunião com o então ministro. Em 2010, novamente na hora de acertar contas de campanha de Fernando Pimentel ao Senado e de Hélio Costa ao governo de Minas, ouviu de Dilma que ele não seria esquecido. "Duda, eu ainda não tenho a caneta na mão, mas quando tiver, não vou esquecer de você", teria dito a presidente, a quem Pimentel recorreu ao ser cobrado, de acordo com a reportagem.

O marqueteiro deve falar também sobre doações a campanhas do PMDB. Em 2014, de acordo com a revista, a Odebrecht pagou a ele R$ 6 milhões relativos a serviços prestados para a candidatura de Paulo Skaf ao governo de São Paulo. O acerto teria sido feito pelo presidente Michel Temer e o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha em um jantar com Marcelo Odebrecht, conforme já revelou outro delator, o ex-diretor da empreiteira, Claudio Melo Filho.

As campanhas coordenadas por Duda no Chile e na Colômbia também receberam dinheiro da Odebrecht e da OAS, nos anos de 2013 e 2014, informa a reportagem.

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