Sanitarista anônima comanda vacinação em todo o País

Enquanto o ministro da Saúde, Humberto Costa, estiver abrindo neste sábado, no Recife, a campanha nacional de vacinação contra a pólio, uma mulher desconhecida fa maioria da população estará no comando da operação, a partir de umamodesta sala no quinto andar da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em Brasília.A sanitarista Maria de Lourdes de Sousa Maia, de 53 anos, coordena o Programa Nacional de Imunização (PNI), o que lhe confere a condição de chefe de uma equipe de 443 mil profissionais de saúde e voluntários empenhados em vacinar cerca de 17 milhões de pessoas.Lourdinha compara seu trabalho a uma operação militar, estrategicamente planejada, para que todas as crianças menores de 5 anos sejam vacinadas num único dia. A façanha já foi atingida, em 1997, dois anos após Lourdinha assumir a coordenação.A sanitarista enumera as doenças cuja incidência foi reduzida e até eliminada graças à política de vacinação: "Não tem mais pólio nem varíola. O último caso de sarampo foi em 2000. Há queda estrondosa de difteria, tétano, coqueluche ehepatite B".A experiência rendeu a Lourdinha convites para treinar técnicos em países como Timor Leste, Angola e Suriname. E lá foi a médica com a mesma disposição com que percorre o interior doBrasil, indo a lugarejos mais distante, onde às vezes nenhuma autoridade pisou. "Quando fica sentada numa sala, você terminase desumanizando."Lourdinha pouco se importa em afundar o salto no barro, passar horas em ônibus numa estrada esburacada ou num barco pelos rios da Amazônia - de onde voltou, numa ocasião, com 15 marcas na perna de ataques de carapanãs, mosquitos miúdosfamosos pela picada dolorida.Nas viagens, a coordenadora se desgruda da comitiva se vê alguma casa com criança. "Mãe, posso ver o cartão de vacinação do seu filho?" Mesmo quando a falta é da mãe, Lourdinha chama aresponsabilidade para o PNI se a criança não tomou as doses previstas.A sanitarista conseguiu elevar o investimento emvacinas de R$ 94 milhões em 1995 para R$ 495 milhões em 2002. E costurou uma parceria sólida com as Forças Armadas. "Sem os militares, não teríamos como chegar à fronteira." Para ela, oPNI é uma tropa: "Mas não me acho um general, e sim um maestro de orquestra".

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