Sanguessugas pretendiam se estender a outros ministérios

O vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), informou, nesta terça-feira, que empresários integrantes do esquema de venda superfaturada de ambulâncias planejavam transferir seu negócio para o ramo da inclusão digital. Por isso, passaram a buscar emendas dirigidas a projetos no âmbito dos ministérios da Ciência e Tecnologia e das Comunicações.Uma comissão de representantes da CPI Mista dos Sanguessugas ouviu, em Cuiabá, três dos empresários que decidiram colaborar com as investigações. Eles relataram a integrantes da CPI, em depoimento fechado, que também operaram com emendas dirigidas a programas do Ministério das Comunicações.Em nota, o ministério informou que "conta com auditoria que faz o acompanhamento permanente dos processos de liberação de recursos." A nota acrescenta que, "por hora, essa checagem não detectou qualquer irregularidade", mas que, "mesmo assim, o trabalho continua".ComunicaçõesO Ministério das Comunicações tem um programa semelhante ao mantido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, que prevê recursos para implantação de telecentros. São pequenas centrais com computadores e canais de acesso à internet gratuitos e abertos ao público, implantados em regiões pobres e distantes. O projeto faz parte do programa de inclusão digital do governo federal.Até o primeiro semestre de 2005, o Ministério das Comunicações também liberava recursos para a compra de telecentros móveis. Nesse caso, a central era montada em um ônibus, o que encarecia o programa. A partir do segundo semestre daquele ano, o ministério mudou as regras. Eliminou os telecentros móveis, e passou a financiar exclusivamente as centrais fixas, bem mais baratas. Também decidiu estabelecer limites no valor das emendas parlamentares dirigidas ao programa, conforme a população da região a ser assistida.O programa do Ministério de Ciência e Tecnologia prevê igualmente a montagem de computadores em ônibus. Embora semelhantes, os dois programas são geridos separadamente por cada um dos ministérios. O esquema, descoberto pela Polícia Federal na Operação Sanguessuga, também dirigiu emendas para projetos na área da Ciência e Tecnologia.

Agencia Estado,

11 de julho de 2006 | 22h33

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