Sanguessugas: CPI racha com inclusão de tucano e pefelistas entre suspeitos de fraudes

O presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), anunciou nesta quinta-feira que pretende incluir quatro deputados na lista de suspeitos a serem investigados de participar do esquema de fraudes na compra de ambulâncias com verbas dos Orçamento. O relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) com os novos nomes gerou um racha na CPI dos Sanguessugas.Os novos investigados são: Aroldo Cedraz (PFL-BA), Arolde de Oliveira (PFL-RJ), João Almeida (PSDB-BA) e Márcio Reinaldo Moreira (PP-MG). Os três primeiros são da oposição e o último da base do governo. A declaração provocou a imediata reação de outros parlamentares da comissão, que viram na decisão uma jogada política do governo para tentar atingir nomes da oposição. O deputado João Almeida, por exemplo, é um dos principais escudeiros do candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin. Cedraz e Oliveira pertencem ao PFL, partido aliado do PSDB.Até a semana passada, a CPI havia enviado 57 notificações a parlamentares que já estão sendo investigados pelo Ministério Público. Biscaia disse que decidiu incluir entre os suspeitos os nomes da lista da Advocacia Geral da União.Alarmado com o documento da CGU, o sub-relator de sistematização da CPI, Carlos Sampaio (PSDB-SP), foi à controladoria para ter detalhes do estudo e retornou, no fim da tarde, declarando-se contra a notificação. ?Não há elementos contra eles que justifiquem a notificação?, afirmou o tucano, antecipando que apresentaria sua posição a Biscaia.Caso seja confirmada a notificação dos 4 parlamentares, subirá para 94 o número de deputados e senadores investigados pela CPI dos Sanguessugas. ?Desses 94 parlamentares, a CPI vai responsabilizar alguns, indicar a necessidade de aprofundamento das investigações sobre outros e, ainda, a excluir outros nomes?, disse Biscaia. A comissão de inquérito notificou até agora 90 parlamentares - 87 deputados e 3 senadores. Beneficiados Os novos nomes surgiram na relação divulgada pela CGU, que fez um balanço dos deputados campeões na apresentação de emendas que beneficiaram o esquema ambulâncias entre 2000 e 2004. Os quatro deputados, que antes não estavam na mira da CPI, aparecem nesse relatório com 16 emendas que acabaram executadas por empresas do esquema. João Almeida apresentou oito emendas em 2001-2002; Arolde Oliveira é apontado no relatório da CGU com duas emendas, em 2002. Já Aroldo Cedraz e Márcio Moreira apresentaram três emendas cada um.Biscaia afirmou nesta quinta-feira que Luiz Antonio Trevisan Vedoin, um dos sócios da Planam, que prestou depoimento à Justiça Federal de Mato Grosso durante nove dias, apresentou provas contra a maioria dos envolvidos já notificados pela CPI dos Sanguessugas. ?Contra todos aqueles que foram notificados, existe sim alguma coisa?, disse Biscaia. ?Ele (Vedoin) pode até proteger alguém, mas quando acusa e traz provas isso dá veracidade a seu depoimento", acrescentou.Os 90 parlamentares notificados começaram a enviar sua defesa à CPI. A idéia é, segundo Biscaia, fazer um resumo dos argumentos de cada um para inclusão no relatório preliminar, que deverá ficar pronto até 18 de agosto.Texto atualizado às 23h00

Agencia Estado,

27 de julho de 2006 | 16h36

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