Sanguessugas atuavam em outros dois ministérios

O vice-presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), disse que o esquema descoberto pela Polícia Federal não atuava apenas no Ministério da Saúde, fraudando a compra de ambulâncias com recursos de emendas ao Orçamento Geral da União.De acordo com o parlamentar, os criminosos também agiam no Ministério da Educação, influenciando a compra de transporte escolar para prefeituras financiada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE); e no Ministério de Ciência e Tecnologia, no que diz respeito às verbas destinadas à inclusão digital. "É uma tragédia isso que tá aí. É lamentável tudo isso que aconteceu. Permita-me este desabafo, depois dessas horas que acompanhei de depoimento", disse Jungmann. A CPI dos Sanguessugas ouve o procurador da República do Mato Grosso, Lúcio Avelar, e o delegado da Polícia Federal, Tardelli Boaventura. Os dois foram responsáveis pelo início das investigações sobre o esquema de fraudes envolvendo empresários, parlamentares, funcionários públicos e prefeitos. Os depoimentos são secretos.Raul Jungmann disse que, pelos relatos feitos hoje, não é possível ter uma dimensão clara de quem operava a quadrilha e como ela agia. No entanto, seria possível perceber que pelos menos 300 prefeituras e aproximadamente 60 parlamentares estariam envolvidos no caso."Os depoentes de hoje disseram que seguramente é possível pedir o indiciamento de pelo menos 60 parlamentares", afirmou Jungmann, que também está certo da participação de integrantes da Mesa da Câmara no esquema, mas preferiu não revelar nomes."Pelos depoimentos que foram aqui tomados é absolutamente evidente a participação de alguns. Vamos assegurar o amplo direito à defesa, mas não vamos pactuar com isso. Existem membros da mesa que devem, sim, ser afastados." Para o deputado do PPS, existem brechas na legislação que permitem hoje fraudes nas emendas ao Orçamento. Jungmann defende mudanças urgentes. "O orçamento hoje do jeito que está é uma peneira, por isso, tem que mudar. Ele entrou em colapso e não é possível conviver com uma mudança e revolução ética e moral com esse orçamento do jeito que está aí."

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