Sanguessuga: Câmara vai adotar medidas contra vazamento de nomes

Mais ágil nas investigações sobre quem vazou o nome de parlamentares suspeitos de envolvimento com o esquema sanguessuga de superfaturamento de ambulâncias do que na apuração do crime, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), disse que a procuradoria da Casa vai adotar as medidas contra o vazamento de nomes de deputados que foram incluídos na lista de supostos beneficiários de fraude na licitação de na compra superfaturada de ambulâncias para municípios com recursos do Orçamento da União. Nesta terça-feira, a comissão de sindicância da Câmara vai ouvir o depoimento do delegado Tardelli Boaventura, responsável pela chamada Operação Sanguessuga que resultou na prisão de 48 pessoas entre ex-deputados, assessores parlamentares, empresários e funcionários do governo federal.A segunda lista com o nome de 81 parlamentares elaborada depois de depoimento de Maria da Penha Lino, a ex-servidora do Ministério da Saúde que está presa, está guardada na corregedoria e os deputados incluídos nela só serão investigados depois que a Polícia Federal enviar maiores dados das investigações. "Como a lista não veio acompanhada de qualquer investigação, nem policial nem do Ministério Público, ela vai ficar sob a guarda do corregedor", afirmou Aldo.De acordo com o presidente da Câmara, caberá a procuradoria analisar que tipo de medida irá tomar para defender os deputados que foram citados em lista sem que contra eles tenha havido algum indício de envolvimento no esquema de fraude. "As medidas não são inicialmente contra a, b, ou c, porque não há sequer a identificação de onde os nomes de pessoas que não têm responsabilidade apareceram. Portanto, é a procuradoria quem vai formar um juízo de valor sobre que procedimento adotar", afirmou Aldo.Com esses procedimentos, Aldo atendeu a um movimento de deputados e líderes na Câmara que reclamaram do desgaste político por ter seus nomes envolvidos em listas de suspeitos. Na semana passada, o líder do governo a Casa, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), se reuniu com líderes da base cobrando uma ação de Aldo em defesa dos deputados e pedindo que o presidente não aceitasse a lista encaminhada pela Justiça de Mato Grosso.Boaventura será o primeiro a depor na comissão de sindicância coordenada pelo corregedor da Câmara, deputado Ciro Nogueira (PP-PI). O procurador da República Paulo Gomes Ferreira Filho, que acompanha a Operação Sanguessuga, foi convidado para depor na tarde desta terça-feira, mas não confirmou sua presença. A corregedoria está tentando confirmar para amanhã os depoimentos de Maria da Penha e de empresários que estão presos em Mato Grosso. O depoimento deverá ser na Câmara.

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