Vaner Casaes/Bapress
Vaner Casaes/Bapress

Salvador vai ter outro circuito em 2014: o Afródromo

Trajeto na área do porto vai reunir blocos afro e afoxés em espaço exclusivo, com arquibancadas para receber 22 mil pessoas

Tiago Décimo, Salvador

11 de fevereiro de 2013 | 10h19

O músico Carlinhos Brown e integrantes dos principais blocos afro e afoxés do carnaval de Salvador – como Timbalada, Filhos de Gandhy, Cortejo Afro e Ilê Ayiê – vão inaugurar um novo circuito para a folia da cidade a partir de 2014: o Afródromo. A ideia é reunir os blocos afro e afoxés em um espaço exclusivo, nas imediações do porto. O trajeto terá 700 metros da Avenida da França, que dá acesso ao porto, e funcionará por três dias.

De acordo com Brown, a intenção do Afródromo é levar os desfiles dos blocos afro e afoxés de volta às origens. “Os circuitos de hoje não permitem que nos expressemos como nós (blocos e afoxés) nascemos, com nossos carros alegóricos, por exemplo”, diz o músico.

A principal diferença do Afródromo para os outros três circuitos da festa em Salvador – o Osmar, o Dodô (Barra-Ondina) e o Batatinha (Pelourinho) – está na interação do público com os grupos: em vez de poder acompanhar os trios e blocos, como nos demais circuitos, os foliões assistirão aos desfiles de arquibancadas e camarotes. A capacidade será de 22 mil pessoas, como nos carnavais do Rio e de São Paulo.

Esquenta. Ontem, os grupos participantes mostraram uma prévia do que se pode esperar do Afródromo. Cercado por alegorias, Carlinhos Brown desfilou fantasiado de “caboclo”, sem camisa e com um grande cocar, como na representação dos heróis anônimos da Independência da Bahia.

O músico comandava as outras entidades, que apresentaram evoluções coreografadas e várias performances percussivas. Já no começo do desfile, o grupo emocionou a multidão tocando O Guarani, de Heitor Villa-Lobos, e Ashansú (Obaluaê).

Para o prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), o Afródromo pode se transformar em mais um instrumento para fortalecer o carnaval soteropolitano em relação a outras cidades, em especial o do Rio. “No Rio, cresceu o carnaval de rua, com os blocos, e acho que podemos fortalecer esse carnaval mais cênico com o desfile dos blocos afro”, afirma.

O governador baiano, Jaques Wagner (PT), também se mostrou favorável à proposta. “É uma ideia a qual a gente deve se dedicar porque a natureza dos blocos afro é diferente da dos blocos comerciais”, diz.

O prefeito e o governador acompanharam o desfile, com os ministros Marta Suplicy, Gastão Vieira e Alexandre Padilha.

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