Saldo final da Rio+20 expõe falhas estruturais e necessidade de melhorias

Cúpula teve poucos percalços, mas problemas com transportes evidenciaram urgência de reformas na cidade.

Paulo Cabral, BBC

23 Junho 2012 | 11h09

A Rio+20 foi encerrada sem grandes percalços, mas sofreu com falhas na infraestrutura de transportes do Rio e expôs setores que pedem melhorias para os megaeventos enfileirados até a Olimpíada de 2016.

Os engarrafamentos que se agravaram sobretudo às vésperas do evento foram aliviados pelo ponto facultativo decretado durante os três dias principais da conferência da ONU, de quarta a sexta-feira.

Mesmo nos feriados, manifestações de ONGs e grupos da sociedade civil fizeram a cidade parar em alguns momentos.

"Os feriados melhoraram a situação, mas acho que esta não pode ser uma solução para a Copa e a Olimpíada. Como o Rio vai fazer, decretar um mês de férias?", questionou a jornalista japonesa Ayako Sasa, que veio para a cobertura do evento e levou três horas para chegar do aeroporto ao centro de convenções que sediou a conferência, na Barra.

O reforço ao policiamento na cidade era visível. O esquema de segurança coordenado pelo Ministério da Defesa contou com 8 mil soldados e mais de 7 mil policiais, integrando o trabalho de vários órgãos, como ressalta o ministro Celso Amorim.

"Acho que transcorreu tudo com muito tranquilidade, as pessoas se sentiram seguras mas ao mesmo tempo sem se sentir excessivamente restringidas. Eu acho que assim que deve ser", avalia ele.

Planejamento

Embora o esquema de seguranca tenha funcionado, tanto nessa conferência como em grandes eventos anteriores na cidade, especialistas dizem que um planejamento ainda mais completo será necessário para a Copa e a Olimpíada.

O analista de riscos e segurança da Id Tech, Ricardo Yagi, diz que há muitas tecnologias novas, principalmente de identificação biométrica, que poderiam ser usadas nos megaventos, desde que haja pessoal preparado para isso. "É essencial que o governo faça um planejamento integrado, que leve em conta e combine tanto recursos tecnológicos como humanos. Um não funciona sem o outro."

O Riocentro foi convertido em território da ONU durante a conferência e recebeu cerca de 45 mil pessoas até o encerramento na sexta-feira.

Lá, pequenos problemas mostraram que o Brasil ainda pode avançar na organização de eventos de alto nível - desde a lentidão no processo de distribuição de credenciais para os participantes aos altos preços cobrados no pavilhão de alimentação do local, passando pelas temperaturas descontroladas do ar-condicionado.

"Meu nariz vai cair. Esse frio todo não é sustentável, não tem sentido gastar toda essa energia", reclamava a jornalista espanhola Miren Gutierrez.

Mais de quatro mil jornalistas trabalharam na cobertura do evento. O Riocentro estava coberto por uma rede de internet sem fio com capacidade para mais de 30 mil acessos simultâneos.

Rede carregada

De acordo com Wilton Mota, diretor de operações do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), órgão responsável por planejar a cobertura digital do evento, a rede foi o suficiente e o consumo de banda durante o evento não passou de 25% da capacidade.

Alguns jornalistas, porém, reclamaram de lentidão em horários de pico e da qualidade dos serviços de telefonia móvel. Mota afirma que o comportamento durante todo a conferência será estudado para verificar o que causou a lentidão e o que pode ser aprimorado.

Do ponto de vista da segurança, Mota destaca que o sistema desenhado pelo Serpro para o evento foi bem-sucedido. O órgão foi responsável pelo site do evento - que passou por tentativas de ataques de hackers diariamente desde o último dia 15, afirma.

"Esse foi o primeiro evento de proporções mundiais de que participamos. O grupo que participou agora está preparado para atender outros megaeventos", afirma.

O vídeo de Júlio Dias Carneiro contou com produção de Sarah Robbins e colaboração de Paulo Cabral. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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