Saldo de visita aos EUA supera expectativas

Texto aprovado após a viagem da presidente gera surpresas em especialistas pelo volume de acordos alcançado

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2015 | 02h02

A visita da presidente Dilma Rousseff a Washington quase terminou sem um comunicado conjunto dela e do anfitrião Barack Obama. Com pouco tempo para preparar o encontro entre os presidentes, os americanos preferiam que cada governo divulgasse separadamente a relação dos atos aprovados durante a viagem. A resistência só foi superada poucos dias antes da chegada da brasileira a Washington. No fim, o comunicado conjunto demonstrou um nível de ambição além das expectativas de observadores da relação bilateral.

O documento reflete consensos políticos e econômicos entre os dois presidentes e abrange temas globais, como mudança climática e combate ao terrorismo, e regionais. "Os presidentes ressaltaram os vínculos tradicionais que unem os dois países e sublinharam sua determinação de fortalecer uma parceria cada vez mais madura e diversificada, fundada no respeito e na confiança mútua, nos valores compartilhados e na atenção às necessidades e aspirações das sociedades das duas maiores democracias e economias das Américas", destaca o texto.

Na avaliação de Harold Trinkunas, diretor para América Latina do Brookings Institution, o Brasil e os EUA se esforçaram para que a visita fosse bem-sucedida. "O comunicado conjunto foi um sinal de que ambos os lados estão ansiosos por uma agenda de cooperação", observou. "A visita foi melhor do que eu esperava", disse Kellie Meiman, da consultoria McLarty Associates.

Defesa. Obama conseguiu um acordo com o Brasil no combate ao aquecimento global, setor que está entre suas prioridades na agenda global. Além disso, Dilma levou na mala a aprovação de dois acordos de cooperação na área de defesa que haviam sido assinados em 2010, mas nunca enviados à ratificação do Congresso. Os documentos abrem as portas para a aproximação entre as duas Forças Armadas e pavimentam o caminho para a venda de tecnologia e equipamentos militares dos EUA para o Brasil.

Na entrevista coletiva que concedeu ao lado de Obama na Casa Branca, Dilma também elogiou a reaproximação entre os EUA e Cuba anunciada em dezembro e afirmou que ela muda o "patamar" do relacionamento de Washington com toda a região.

O presidente americano obteve ainda uma condenação enfática de Dilma ao terrorismo e a defesa de "abordagens abrangentes" para evitar a propagação de ideologias extremistas. Um dia depois do encontro, o Brasil mudou de posição e votou a favor de resolução da ONU que condena violação de direitos humanos pelo governo da Síria.

Confiança. Pesquisa divulgada pelo Pew Research durante a visita mostrou que 63% dos brasileiros têm confiança de que Obama tomará medidas adequadas para lidar com problemas globais. O porcentual é três vezes superior aos 20% que disseram confiar em Dilma, segundo divulgado pelo Ibope, na quarta-feira.

O estudo, feito no Brasil, mostrou recuperação da queda de confiança em Obama registrada após o episódio da espionagem das comunicações de Dilma, em 2013, quando 69% disseram ter confiança em Obama. Em 2014, o porcentual caiu para 52%.

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