Salários por convocação extraordinária podem acabar

O vice-líder petista na Câmara Walter Pinheiro (BA) vai pedir ao presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), que coloque em votação proposta de emenda constitucional que muda o período de funcionamento da Câmara, acabando com os recessos e fixando em apenas 30 dias as férias dos parlamentares, divididas em dois períodos de 15 dias. Essa proposta foi encabeçada, na legislatura passada, pelo então deputado e hoje presidente do PT, José Genoino (SP), com apoio de toda a bancada do PT. Com aprovação da proposta, acabaria o pagamento de dois salários extras a que o deputado tem direito a cada convocação extraordinária da Câmara. Segundo Pinheiro, a aprovação desse projeto poderá ser "a grande marca" de João Paulo na presidência da Câmara. A defesa da proposta cresceu depois que João Paulo anunciou a convocação da Câmara para o mês de julho, assegurando, no entanto, que serão pagos os dois salários extras, o que daria um extra de R$ 25.440 para cada parlamentar. "O partido que está propondo reduzir gastos do Estado não pode permitir um negócio desses", afirmou Pinheiro. "A sociedade não aceita. E doar a ajuda de custo ao Programa Fome Zero é fazer festa com o dinheiro alheio", acrescentou, numa crítica à proposta de seu colega petista Orlando Desconsi (RS), que sugeriu que todos os deputados doem o extra ao Fome Zero. Segundo Pinheiro, a Câmara não deve pagar o deputado. Segundo João Paulo, a instalação da comissão especial para discutir o projeto depende dos líderes partidários. Ele disse que há um mês pediu aos líderes da Casa que indicassem 20 propostas de emendas constitucionais que consideravam prioritárias, dentre mais de 60 pedidos que estavam parados na Câmara, e ninguém indicou esta proposta como prioridade. "Se os líderes pedirem, eu pauto essa proposta", afirmou.

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