Saída de vice expõe amplitude do escândalo no DF

Paulo Octávio é dono de uma das maiores imobiliárias de Brasília e era cogitado para disputar o governo do DF

Carol Pires, da Agência Estado,

18 de janeiro de 2010 | 10h17

O anuncio feito pelo vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octavio (DEM), de que abandonará a política para voltar a cuidar exclusivamente de suas empresas, deve chamar ainda mais atenção para o escândalo de corrupção na capital federal. Paulo Octávio é dono de uma das maiores imobiliárias de Brasília e vinha sendo cogitado como a alternativa dos partidos de oposição para disputar o governo do DF, uma vez que o atual governador, José Roberto Arruda, foi pressionado pelo DEM e abandonou o partido em dezembro. Sem legenda, Arruda não poderá disputar as próximas eleições.

 

A pretensão de abandonar a política foi comunicada por Paulo Octavio ao presidente nacional do DEM, deputado federal Rodrigo Maia (RJ). Octavio, porém, ainda não comunicou publicamente sua decisão.

 

Inquérito da Operação Caixa de Pandora, comandado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), aponta que Arruda seria o chefe de um suposto esquema de arrecadação de propina entre empresas contratadas pelo governo local. O dinheiro seria distribuído entre aliados do governo e deputados distritais da base aliada.

 

Esta semana, os deputados distritais da CPI da Corrupção decidirão as datas dos depoimentos já aprovados pela comissão. O depoimento mais esperado é do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa. Ele é o pivô do escândalo e autor de dezenas de vídeos que mostram deputados e até o governador recebendo dinheiro supostamente ilegal.

 

O autor do requerimento que convocou Barbosa, Paulo Tadeu (PT), único parlamentar da oposição na CPI, defende que o depoimento seja um das primeiros, porque Durval é o principal delator do esquema e poderia guiar as investigações. A base aliada do governador, no entanto, pretende adiar o quanto puder o depoimento de Durval e, se possível, desviar o foco das investigações até lá.

 

DF

 

Sem José Roberto Arruda e Paulo Octávio fora da disputa pelo governo, os partidos de oposição em âmbito nacional devem ficar sem palanque no Distrito Federal. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), tem como plano B fazer palanque com Cristovam Buarque (PDT), caso ele seja candidato à governador. Buarque, no entanto, resiste à ideia e reforça sua intenção de se reeleger ao Senado.

 

Neste cenário, devem disputar o governo do DF o ex-governador Joaquim Roriz, preferido nas intenções de voto, o deputado distrital Antônio Reguffe, do PDT, e o ex-deputado federal Agnelo Queiroz, do PT.

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