Saída de Palocci foi perda para o País, diz Lula

'Não é todo País que tem um quadro político da competência do Palocci', afirmou o ex-presidente em evento no Sul

Evandro Fadel

09 de junho de 2011 | 19h07

CURITIBA - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 9, em Curitiba, acreditar que a saída do ex-ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Antonio Palocci, foi uma perda para o País. "Não é todo País que tem um quadro político da competência do Palocci", afirmou em tumultuada entrevista na saída de um encontro com mulheres catadoras de lixo. Mas acentuou que a presidente Dilma Rousseff "tomou uma atitude no momento correto" ao chamar para o lugar a senadora paranaense Gleisi Hoffmann (PT).

 

"Acho a Gleisi uma figura excepcional", afirmou. "Eu conheço a Dilma e conheço a Gleisi e acho que elas vão fazer muita coisa nesse País."

 

No encontro com cerca de 300 mulheres catadoras de lixo, o ex-presidente foi recebido com gritos de "Lula eu te amo" e fez referência à presidente Dilma por três vezes. Ele iniciou dizendo que se a presidente não tivesse compromisso ou se tivesse sido convidada com antecedência "com certeza" estaria ali. "Mas aqui também está ausente hoje uma das pessoas que mais insistiu para que eu viesse aqui, que era a nossa querida senadora, que hoje virou ministra, Gleisi Hoffmann", lamentou.

 

Lula citou uma das principais reivindicações das catadoras, a proibição de incineração de material reciclável,e afirmou estar disposto a participar da "batalha". "Eu estou mais disponível agora do que quando era presidente da República", disse. Sob aplausos, o ex-presidente ressaltou ter voltado à sua "origem". "Eu dizia para vocês que eu sei de onde eu vim e sei para onde vou, portanto a mesma mão que cumprimenta um rei ou uma rainha é a mesma mão que cumprimenta uma catadora de papel", afirmou.

 

Ele reforçou ter deixado a Presidência da República, mas não seus compromissos. "Se antes vocês tinham um presidente da República, agora vocês têm um ex-presidente e uma presidenta com a mesma vontade, com a mesma disposição para fazer", disse. "Podem contar comigo em qualquer circunstância que estarei junto com vocês." E fez um apelo para que prefeitos e governadores privilegiem as cooperativas de catadores de papel. "Hoje posso falar coisas para prefeitos e governadores que não podia falar quando era presidente porque tinha que respeitar os entes federais", afirmou. "Hoje sou um cidadão brasileiro livre." Para encerrar utilizou as mesmas palavras dos discursos eleitorais: "Um abraço e até a vitória, se Deus quiser".

 

Battisti. Questionado sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal favorável à permanência do italiano Cesare Battisti no Brasil, o ex-presidente preferiu apenas comentar que se trata de "decisão da Suprema Corte". O ex-ativisita teve a liberdade concedida por 6 votos a 3, em julgamento realizado nessa quarta-feira, 8. Com o resultado, a Corte manteve a decisão de Lula, quando ainda era presidente, de não extraditar Battisti.

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