Saída de Gregori é preparada sem ruído

A despeito da negativa do ministro da Justiça, José Gregori, que insiste em descartar sua saída do ministério, o presidente Fernando Henrique Cardoso continua articulando, nos bastidores, alterações na equipe para reforçar o esquema de coordenação política do governo.Prova disso é que, segundo um importante colaborador do presidente, o governo já pediu o agrément (aprovação) do governo português para a indicação de Gregori à embaixada do Brasil em Portugal.É fato que Fernando Henrique não tem pressa de substituir Gregori pelo secretário-geral do Planalto, ministro Aloysio Nunes Ferreira. A cautela, neste caso, decorre do fato de o presidente não querer dar uma ?vitória a setores conservadores?, no episódio da crise das Polícias Militares em que Gregori entrou em choque com o ministro-chefe do Gabinete da Segurança Institucional, general Alberto Cardoso.Mas o interlocutor presidencial garante que a substituição está mesmo decidida. ?Quanto a isto, não há dúvida?, insiste o informante. O objetivo da troca de Gregori por Aloysio Nunes é abrir espaço para o PFL em uma das lideranças do governo no Congresso.A cúpula pefelista quer um dos postos de líder para acomodar o deputado Heráclito Fortes (PFL-PI), que abriu mão de disputar a liderança do partido com Inocêncio Oliveira PFL-PE) em função deste aceno.A dificuldade é que o cargo de Aloysio não oferece atrativos aos líderes do governo no Congresso, Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), e na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), que têm sido aconselhados a ?dispensar a oferta? porque a secretaria-geral administra problemas demais e não tem verbas para atender os parlamentares sempre queixosos.A idéia da troca foi bem recebida pelos líderes da base aliada consultados pelo presidente. A todos, porém, Fernando Henrique disse que ainda não decidiu qual dos tucanos iria para o lugar de Aloysio Nunes.Habilidoso e discreto, Madeira tem sido muito útil ao Planalto nas negociações com os deputados. Com seu estilo mais combativo, Arthur Virgílio, por sua vez, tem se mostrado fundamental na defesa do governo da tribuna do Congresso.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.