Dida Sampaio/AE
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Saída de Erundina gera nova crise na campanha de Haddad

Foto com Maluf foi o principal motivo de sua desistência; deputada diz se colocar à disposição do petista

Christiane Samarco e Eduardo Bresciani - O Estado de S. Paulo,

19 de junho de 2012 | 20h15

BRASÍLIA - Mal superou o isolamento partidário, a campanha de Fernando Haddad (PT) entra em nova crise com o fracasso da operação para manter, no mesmo palanque, a deputada Luiza Erundina (PSB) no posto de vice e o PP de Paulo Maluf. Anunciada como solução para ampliar os apoios a Haddad na militância do PT e no eleitorado da periferia, Erundina rebelou-se diante da fotografia da corte feita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Maluf e se recusou, em caráter irrevogável, a compor chapa com o petista à prefeitura de São Paulo.

A negativa da deputada do PSB foi tão veemente que não deixou brecha para nenhum apelo ou contestação da direção nacional, fiadora da aliança. O governador de Pernambuco e presidente do partido, Eduardo Campos, já tinha feito uma "intervenção" no diretório paulista, forçando seus quadros a saírem do governo Geraldo Alckmin (PSDB) e da candidatura de José Serra (PSDB), para se aliarem a Haddad. Sem Erundina, viu-se obrigado a jogar para o PT a escolha do novo vice.

Foi isto que Campos comunicou a Haddad por telefone, no final da tarde de desta terça-feira, 19. Ele e o vice-presidente do partido, Roberto Amaral, reuniram-se com Erundina por cerca de uma hora em Brasília, mas a conversa não permitiu nenhuma negociação. A deputada chegou ao encontro com a decisão tomada e os interlocutores não encontraram brecha para tentar demovê-la depois ouvir seus motivos.

Adversária histórica de Maluf, ela deixou claro que sua continuação na chapa seria fator permanente de instabilidade política porque não recuaria um milímetro dos ataques que fizera ao ex-prefeito. "Ela disse que não se calaria, que não retiraria nenhuma das afirmações que fez", disse Eduardo Campos ao relatar a conversa com a deputada, que se recusa a posar no palanque ao lado de Maluf.

O que provocou a ira de Erundina foi a deferência de Lula a Maluf aceitando a exigência do ex-prefeito de comparecer a casa dele para formalizar o apoio do PP a Haddad. Lula não havia comparecido à cerimônia do PSB na qual Erundina foi anunciada como vice. Vinte anos atrás, o mesmo PT a penalizara com um ano de cassação dos direitos políticos, por ter aceito o cargo de ministra da Administração do governo Itamar Franco.

A direção do PSB não reclamou do gesto do ex-presidente, mas sinalizou apoio à posição de Erundina ao destacar que em frentes partidárias existem alianças com as quais não se concorda. "O comando desse processo se dá pelo PT, não está no nosso controle. Quando se chega apoiando uma candidatura a gente sabe que não se tem comando dessas alianças", afirmou o presidente do PSB.

Eduardo Campos disse estar convencido de que só cabia ao partido agir rápido para não aprofundar a crise. Para reforçar a candidatura de Haddad, ele ofereceu ao candidato o poder de escolher seu novo companheiro de chapa no partido que lhe convier. Ele admite que no PSB o melhor nome seria o de Erundina e que o perfil dela é único no partido. "Uma expressão maior no PSB de São Paulo, como a Erundina, só tem uma", disse Campos. Sem uma alternativa a altura a oferecer, o PSB transferiu ao PT a responsabilidade de recompor a chapa.

Haddad foi pego de surpresa com a atitude de Erundina. Ele e Lula apostaram até o último instante que a deputada acabaria aceitando a aliança com Maluf. Coube a Campos consolar Haddad, garantindo engajamento total do PSB em sua campanha. "Entramos nessa candidatura de corpo e alma". A ligação ao candidato foi feita na presença de Erundina e, segundo Campos, a deputada colocou-se à disposição para auxiliar Haddad nas tarefas que ele julgar importantes. "Seja na rua, na TV, na militância, nos debates ou nos comícios", disse o presidente do PSB.

 

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