Saída de Candiota foi uma ´ironia trágica", diz The Economist

A revista ?The Economist? afirma que a demissão do diretor de política monetária do Banco Central, Luiz Candiota, foi marcada por uma "ironia trágica". Tragédia porque ele se demitiu por causa de acusações na imprensa de que teria cometido evasão fiscal. "A ironia é que, após dezenove meses sendo alvo de críticas dos políticos, empreendedores e a imprensa, o Banco Central pode mostrar os sinais mais claros de recuperação econômica desde que a atual equipe tomou posse no início de 2003", disse a revista.Segundo a "The Economist", os mercados financeiros ficariam preocupados se surgirem sinais de haver qualquer substância nas acusações de evasão fiscal contra o presidente do BC, Henrique Meirelles. O BC afirma que Meirelles estava vivendo no exterior na época e que não tem planos de se demitir. A revista observa que os promotores estão investigando o caso, mas não formalizaram acusações. "Se não fosse por isso, o BC estaria comemorando uma economia que, após encolher em 2003, parece destinada a crescer 3,5% neste ano", disse a revista. "A inflação, que estava caminhando rumo aos 20%, foi trazida para 7% graças principalmente à rigorosa política monetária."Independência do BCSegundo a "The Economist", as coisas estão indo tão bem que o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, ressuscitou recentemente a proposta de conceder independência formal ao BC. "Alguns analistas atribuem a circulação de histórias comprometedoras sobre os impostos dos diretores do BC aos inimigos da independência da instituição", disse.De acordo com a reportagem da revista, os críticos do BC reclamam que a Selic, a taxa básica de juros da economia, em 16% ao ano, ainda é muito elevada para a endividada economia brasileira. "O sucessor de Candiota, Rodrigo Azevedo, que era economista-chefe do CSFB, um banco de investimentos, provavelmente não concorda com isso", disse. "Seu banco previu ma semana passada que a taxa básica de juros deveria permanecer inalterada no resto de 2004."

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