Paulo Lisboa|Foto Press
Paulo Lisboa|Foto Press

Saiba o que três ex-executivos da Odebrecht disseram sobre a campanha de 2014 ao TSE

Lista de depoentes à Justiça Eleitoral sobre processo que investiga a chapa Dilma-Temer inclui até agora sete nomes da empresa

O Estado de S.Paulo

03 Março 2017 | 12h29

Três ex-executivos da Odebrecht prestaram depoimento à Justiça Eleitoral esta semana no processo que investiga suspeitas de corrupção e caixa 2 na chapa Dilma-Temer, reeleita em 2014. Eles afirmaram que houve repasses de caixa 2 durante a campanha e envolveram a ex-presidente Dilma Rousseff, o então vice-presidente Michel Temer, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), ex-ministros e outros políticos de um total de cinco partidos.

O ex-presidente da empresa Marcelo Odebrecht, o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Barbosa da Silva Júnior e o ex-diretor da Odebrecht Ambiental Fernando Cunha Reis deram esclarecimentos ao relator do caso que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Herman Benjamin. Marcelo foi ouvido na sede do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, em Curitiba, onde está preso, e os outros dois empresários falaram na sede do Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro (TRF-RJ).

Marcelo. Em seu depoimento, Marcelo negou ter tratado diretamente com a presidente cassada sobre doação de campanha, mas disse que Dilma tinha conhecimento dos pedidos feitos por interlocutores. Segundo Odebrecht, 80% das doações à chapa reeleita ocorreram por meio de caixa 2. Teriam sido pagos R$ 150 milhões; destes, R$ 50 milhões foram em agradecimento à aprovação da Medida Provisória do Refis, que beneficiou a Braskem, braço petroquímico da Odebrecht. O empresário também contou que a empreiteira destinou, entre 2008 e 2014, cerca de R$ 300 milhões a uma conta do PT acessada pelos ex-ministros Antonio Palocci e Guido Mantega.

Sobre o presidente Michel Temer, Marcelo confirmou que houve repasse de R$ 10 milhões ao PMDB durante a campanha. O valor foi acertado com o ministro Eliseu Padilha após um jantar no Palácio Jaburu. Desse valor, R$ 6 milhões foram destinados à campanha de Paulo Skaf (PMDB) ao governo de São.

Durante as quatro horas de depoimento, Marcelo também afirmou que se reuniu três vezes ao longo da campanha com Aécio, que concorria à Presidência em 2014. O político lhe teria pedido R$ 15 milhões no fim do primeiro turno, mas Marcelo considerou o valor alto demais. Concordou, então, em fazer doações a aliados do tucano.

Fernando Reis. O empresário Fernando Reis afirmou em seu depoimento à Justiça que a Odebrecht pagou R$ 4 milhões ao PDT para que o partido entrasse na coligação "Com a Força do Povo", de Dilma e Temer. O pagamento em espécie teria sido entregue no escritório do tesoureiro do PDT, Marcelo Panela, no Rio de Janeiro.

Benedicto. Outro ex-executivo da Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior revelou que a Odebrecht doou $ 9 milhões em caixa 2 para campanhas do PSDB em 2014 a pedido de Aécio. Desse valor, R$ 6 milhões foram para as campanhas de Pimenta da Veiga (PSDB) ao governo de Minas, de Antonio Anastasia (PSDB) ao Senado e de Dimas Toledo Júnior (PP) à Câmara dos Deputados. O restante, R$ 3 milhões, teriam sido encaminhados ao marqueteiro da campanha de Aécio, Paulo Vasconcelos. Todos os citados negam irregularidade na prestação de contas à Justiça Eleitoral.

Próximos depoimentos. Na próxima segunda-feira, 6, prestarão depoimento o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho e o ex­-vice-­presidente de relações Institucionais da Braskem Alexandrino de Salles Ramos de Alencar. Eles serão ouvidos na sede do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, a partir das 17h. Outros dois nomes da empresa foram acrescentados à lista de depoentes ao TSE, mas não há ainda definição de local e data: Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho, chefe do Setor de Operações Estruturadas (nome oficial do departamento responsável pelos pagamentos ilícitos do Grupo Odebrecht), em local e data ainda indefinidos, e Luiz Eduardo Soares, responsável por receber pedidos de líderes empresariais e diretores de todos os braços da Odebrecht para operacionalização de pagamento de propina.

Prazo. No relatório-voto que Herman Benjamin apresentará, o ministro pode defender a absolvição da chapa, pedir a cassação da mesma ou apoiar a separação das responsabilidades dos dois candidatos em caso de pedido de cassação. O voto do relator será apreciado pelos seis outros ministros que compõem o plenário do TSE, presidido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao Estado em dezembro, Benjamin afirmou que pretendia apresentar o relatório em fevereiro deste ano, enquanto Gilmar, em dezembro, afirmou que a inclusão da delação da Odebrecht no processo poderia atrasar o julgamento do caso, como ocorreu.

Nos próximos meses, duas vagas serão abertas no TSE. Henrique Neves deixará o cargo em 16 de abril e Luciana Lóssio, em 5 de maio. A Constituição estabelece que o presidente da República deve nomear substitutos com base em lista tríplice elaborada pelo STF. O mais comum é que as vagas sejam preenchidas pelos ministros substitutos da corte; nesse caso, Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto. Temer, porém, pode escolher qualquer qualquer um dos nomes da lista.

 

 

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