'Sabatina com diplomata para La Paz encerra conflito', diz senador

Aloysio Nunes afirma que só marcou data de arguição após governo dar status de refugiado a opositor de Evo Morales

O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2015 | 02h02

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Casa, afirmou nesta sexta-feira que a sabatina marcada para o dia 3 de setembro com o indicado para a embaixada brasileira na Bolívia, o diplomata Raymundo Santos Rocha Magno, marca o fim de um conflito diplomático entre os dois países. "Só marquei a data porque o governo brasileiro deu status de refugiado ao senador boliviano Róger Pinto Molina. Dessa forma, viramos a página nesse episódio", disse.

Molina, parlamentar de oposição ao governo de Evo Morales, fugiu para o Brasil com a ajuda do encarregado de negócios do Brasil em La Paz, Eduardo Saboia, em 2013. Antes de cruzar a fronteira, ele viveu 455 dias na embaixada do Brasil na capital boliviana. O episódio levou à queda do então ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, que pediu demissão do cargo.

Ferraço. Um dos brasileiros a dar suporte a Molina é o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES). Ao final de uma viagem de 22 horas de carro, onde passaram por cinco controles militares, inclusive na fronteira, o diplomata boliviano entrou em contato com Ferraço. "Ele me ligou e disse que estava com o senador em Corumbá mas não tinha como levá-lo até Brasília. Eu tentei falar com o presidente do Senado (Renan Calheiros) e com outras autoridades, sem sucesso. Então consegui um avião e fui buscá-lo e levá-lo para Brasília", afirmou Ferraço à época do episódio.

Na quinta, o senador apresentou no Senado um relatório de apoio ao diplomata brasileiro no qual resgata todo o imbróglio envolvendo opositor de Morales. "O marco lamentável desse processo deliberado de limitar nossa capacidade de ação diplomática foi a recusa inédita da Bolívia a conceder salvo-conduto ao senador Róger Pinto Molina, em flagrante desrespeito ao sagrado instituto do asilo diplomático e rompendo uma prática que foi respeitada pelos dois países mesmo durante os períodos de exceção", diz o texto.

Ferraço elogia o apoio de Saboia para que Molina conseguisse deixar a representação brasileira em La Paz com destino ao Brasil. "Quero chamar a atenção para esse ato heroico e humanitário deste servidor do Ministério das Relações Exteriores. Não lhe sendo dada alternativa que não essa solução porque senão ele poderia ser, inclusive, responsabilizado por omissão, considerando a gravidade do estado de saúde desse asilado (hoje refugiado)".

Hoje, Eduardo Saboia trabalha para Comissão de Relações Exteriores do Senado. Molina vive de favor em um apartamento funcional em Brasília.

"O Saboia chegou a ser penalizado de forma injustificável e o Molina leva sua vida em Brasília, podendo trabalhar e sair do País. Agora temos que olhar para frente", acrescentou o senador Aloysio Nunes.

O indicado à embaixada brasileira em La Paz iniciou sua carreira diplomática como terceiro-secretário em 1975. Foi primeiro-secretário em 1982, conselheiro em 1990 e ministro de segunda classe em 1996. "Trata-se de um profissional qualificado para a função", disse.

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