S. Bernardo é exemplo no combate à tuberculose

A tosse é persistente, capaz de enganar os médicos. Por seis meses, Edson Luiz Gomes, de 46 anos, foi tratado na rede privada de saúde como se tivesse problema de estômago. Tinha tuberculose. Bastou o diagnóstico correto para ele começar o tratamento no começo do ano, na rede pública de São Bernardo do Campo. Durante seis meses, todos os dias, Edson tomava seis comprimidos para combater o bacilo de Koch - bactéria responsável pela doença. Há um mês, ele está curado. Dos 645 municípios do Estado, 12 atingiram ou superaram a meta de 85% de cura da tuberculose, estipulada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Na lista, estão São Bernardo do Campo, Jandira, Ourinhos, Taboão da Serra e Pirajuí. São Bernardo do Campo é o único município do Estado com mais de 700 mil habitantes a superar a meta do ministério. "Curamos 91,6% dos pacientes com tuberculose", afirma o pneumologista Carlos Alberto de Oliveira, coodenador do Programa de Controle da Tuberculose do município. O resultado é obtido graças à adesão dos pacientes ao tratamento. Os mais propensos a interromper a terapêutica recebem visitas diárias de um profissional de saúde que tem a função de ver o paciente engolindo os comprimidos. Outros pacientes vão todos os dias para uma das unidades básicas de saúde para tomar os remédios, também sob a supervisão de uma enfermeira. Quem segue o tratamento leva os medicamentos para casa, mas mesmo assim passa por consultas quinzenais ou mensais. O abandono do tratamento em São Bernardo passou de 25% para 2,5%. A cura da tuberculose é um desafio para especialistas de saúde pública em todo o mundo. Isso porque o tratamento precisa ser seguido à risca, sem interrupções. Se o paciente deixa de tomar os remédios, o bacilo fica resistente. Nesse caso, são necessárias drogas mais fortes e caras. Mesmo assim, as chances de cura são menores. O tratamento de seis meses para a tuberculose comum custa R$ 78 por paciente. O valor sobe para R$ 3,5 mil nos casos resistentes da doença. Enquanto a chance de cura da forma comum é de 100%, para a tuberculose resistente baixa para 20%. "Depois de um mês de tratamento, os sintomas desaparecem", conta o corretor de seguros José Luis Olah, de 51 anos, que teve tuberculose aos 44. "Mas a doença está lá e é um problema se a pessoa pára de tomar os remédios." José Luis teve a forma resistente da tuberculose. "Fui contaminado pelo bacilo resistente." Depois do tratamento tradicional de seis meses, ele ainda teve de encarar mais um ano de terapia com medicamentos mais potentes. Só aí é que veio a cura. O tratamento da tuberculose está centralizado na rede pública de saúde. Os medicamentos não são vendidos em farmácias. A coordenadora estadual do Programa de Controle da Tuberculose, Vera Galesi, explica que a idéia é impedir que as pessoas tomem os remédios de forma inadequada, contribuindo para o desenvolvimento de bacilos resistentes. Nos primeiros 15 dias de tratamento, o paciente já deixa de transmitir a bactéria para outras pessoas. Cada doente não tratado contamina de 10 a 15 pessoas por ano. "O tratamento do doente evita a contaminação de outras pessoas", explica Oliveira. Outra forma de prevenção é a vacina BCG - aplicada em bebês no primeiro mês de vida. A vacina, no entanto, não garante proteção por toda a vida. Qualquer pessoa pode pegar tuberculose: basta estar com o sistema imunológico fraco ao entrar em contato com o bacilo que fica no ar. A bactéria é expelida pela tosse ou pelo espirro de um doente. O bacilo pode se alojar em qualquer órgão do corpo, mas ele prefere os pulmões. Só pacientes com tuberculose pulmonar transmitem a doença. Em 2000, 83 mil casos de tuberculose foram notificados no País. No mundo, a doença mata 2 milhões de pessoas por ano. Tosse por mais de três semanas pode ser tuberculose. Outros sintomas são febre, intenso suor noturno, falta de apetite e perda de peso. "Temos a idéia de que a tuberculose é coisa do passado, mas não é", diz a dona de casa Satiko Takagi Nunes, de 48 anos, que está em tratamento para curar a doença. "A primeira coisa que faço assim que acordo é tomar os remédios."

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