Ruth Rocha nega apoio a Dilma e defende Serra

Relacionada entre intelectuais e personalidades que declararam voto na petista em manifesto divulgado no Rio, escritora classifica ato como ‘desaforo’

Raquel Cozer e Marcelo Auler, de O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2010 | 20h31

Incluída entre os artistas e intelectuais que assinaram um manifesto em favor da presidenciável do PT, Dilma Rousseff, a escritora de livros infantis Ruth Rocha enviou anteontem a amigos e jornalistas um e-mail negando veementemente seu apoio à candidata do PT à Presidência.

 

"Eu não a apoio. Incluir meu nome naquele manifesto é um desaforo! Mesmo que a apoiasse, não fui consultada. Seria um desaforo da mesma forma", escreveu a autora, que avaliou que o fato revela "falta de educação e a porção autoritária cada vez mais visível no PT". O esclarecimento aconteceu dias depois de José Padilha, diretor de Tropa de Elite, cujo nome também constava do manifesto, negar que o tivesse assinado.

 

Ao Estado a escritora disse que vota em Serra - aceitou inclusive gravar participação no programa eleitoral do candidato do PSDB, que foi ao ar ontem. "Várias pessoas me ligaram e me avisaram que meu nome aparecia lá. O meio que eu tinha de responder era escrevendo para quem pudesse para esclarecer minha posição", disse.

 

O tradutor e escritor Eric Nepomuceno, um dos organizadores do manifesto, admitiu que foi "um tremendo e lamentável equívoco" a inclusão do nome da autora. "Devo pedir desculpas à minha colega de ofício, com todo respeito que ela e suas obras merecem", escreveu em nota enviada por e-mail. Segundo ele, após a convocação do manifesto foram recebidos "mais de dez mil e-mails em meios de duas semanas, muitíssimo deles de pessoas anônimas, aderindo ao manifesto que convocamos. Entre eles, o de uma senhora chamada Ruth Rocha". Encarregado de buscar nomes do meio cultural, diz que "não pediu, nem procurou" a adesão "da Ruth Rocha escritora". "Evidentemente, alguém - impossível, neste momento, saber quem -, ao divulgar a lista de adesões viu esse nome e pensou que fosse a escritora."

 

Segundo ele, a lista inicial de artistas e intelectuais incluía 120 nomes. O cientista político Emir Sader, outro dos coordenadores do manifesto, não deu maior importância ao protesto de Ruth Rocha. "Essas coisas acontecem como aconteceu do nome do Ivan Lins aparecer no manifesto pró-Serra e ele não vai votar em nenhum dos dois."

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