Ruth foi mais que uma primeira-dama, dizem políticos

Cúpula do PSDB cancela sessão em que os tucanos celebrariam 20 anos de partido nesta quarta

Christiane Samarco, Agência Estado

24 de junho de 2008 | 23h08

Foi sob o impacto da notícia da morte de Ruth Cardoso e em clima de consternação que a cúpula do PSDB cancelou na noite de terça-feira, 24, a sessão solene do Congresso Nacional em que tucanos de todo o País celebrariam na manhã desta quarta o vigésimo aniversário do partido. "A comemoração será apenas um registro dos 20 anos de PSDB. Vamos homenagear a vida de dona Ruth Cardoso", afirmou o líder tucano no Senado, Arthur Virgílio (AM), que assinará requerimento conjunto com o líder na Câmara, José Aníbal (SP), e o presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), propondo ao Congresso que a sessão solene seja transformada em sessão de homenagem à ex-primeira-dama, a ser realizada na próxima semana.    Tucanos, democratas, antigos aliados do PMDB e até petistas que fizeram oposição ao governo Fernando Henrique Cardoso, como o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), concordam na avaliação de que Ruth Cardoso foi mais que uma primeira-dama e que sua morte é uma perda para o País. "Além de ser uma pessoa de grande capacidade e de grande produção intelectual, ela foi sempre comprometida com a luta pela democracia e teve papel relevante na história do País", disse Berzoini. "Dona Ruth foi a maior ativista do programa de inclusão social no Brasil. Mobilizou a sociedade e o governo para a emancipação de nossa gente", lamentou o líder tucano José Aníbal.   Veja também: Ideli Salvati, líder do PT no Senado, fala sobre a morte Senador Álvaro Dias lamenta perda Morre em SP Ruth Cardoso Conheça os principais fatos da vida de Ruth Cardoso  Galeria de fotos da trajetória de Ruth Cardoso  Ruth Cardoso teve carreira marcante na academia Antropóloga, Ruth Cardoso era intelectual reconhecida Serra e Alckmin lamentam a morte 'Ruth deu novo sentido ao papel de primeira-dama'Lula: morte 'é uma grande perda' para o Brasil   No mesmo tom de pesar, o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), fez questão de registrar que ele e seu partido dividem com a família e o País a tristeza pela morte de dona Ruth. "Ela foi uma primeira-dama ao mesmo tempo competente e discreta, capaz de produzir um programa da importância do Comunidade Solidária, tocado com recurso privado e gestão pública", recordou o líder do Democratas.   Ex-ministro de FHC e amigo do casal Cardoso, Arthur Virgílio diz que dona Ruth era generosa, mas que não costumava fazer concessões políticas. "Por isto mesmo, ela era a consciência crítica do marido, do governo e de todos nós", completa o senador, ao lembrar que a "amiga Ruth sempre calibrava minhas ações, comentando meus exageros e meus acertos. Segundo ele, dona Ruth o elogiou pela atuação na derrubada da CPMF com a mesma ênfase que lhe puxou as orelhas quando o tucano pegou carona no avião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comparecer ao enterro do ex-presidente do Senado Ramez Tebet (PMDB-MS).   Em missão oficial na cidade espanhoda de Zaragoza, o ministro de Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), foi acordado com a má notícia de madrugada, por conta da diferença de fuso horário. "Lamento profundamente esta perda para o País e me associo à dor da família e especialmente ao Fernando Henrique pela perda desta grande mulher", disse o ministro ao Estado.   A comemoração do aniversário de fundação do PSDB no Congresso teve de ser cancelada até porque Fernando Henrique seria a estrela da festa em que o tucanato pretendia ensaiar o discurso da "herança bendita legada por seu governo ao País", com que se apresentará ao eleitor na disputa presidencial de 2010. Como a idéia era reunir em Brasília todas as personalidades do PSDB, o governador de São Paulo, José Serra, telefonou ao presidente do partido assim que foi informado da morte de dona Ruth, solicitando o cancelamento oficial da sessão do Congresso.   Além de suspender o evento, o presidente do PSDB assinou uma nota oficial, informando aos tucanos e à Nação que o PSDB estava de luto porque perdera "uma parte de sua história, no momento em que comemorava os 20 anos de sua fundação". A nota apresenta dona Ruth como "fundadora do nosso partido e mulher do nosso presidente de honra, que durante 8 anos esteve à frente do Comunidade Solidária, onde iniciou de forma consistente e criativa a imensa dívida social que cinco séculos de atraso e abandono nos deixaram". Em seguida, destaca que "os brasileiros ficaram sem a presença de uma mulher generosa, forte e combativa, que sempre sonhou com um País mais solidário, rico e justo" e que Ruth Cardoso será sempre, para os tucanos, "o norte, o rumo e o caminho para a construção de um Brasil para todos os brasileiros".   Em nota, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que "D. Ruth foi uma mulher extraordinária que soube honrar a condição de primeira-dama com discrição e autoridade. De inteligência privilegiada, sabia conciliar atitudes incisivas e diretas com uma ternura peculiar". Antes mesmo do Planalto divulgar nota oficial, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio, manifestou-se: "Antes de tudo, uma dama o Brasil perde. Uma pessoa que serviu com elegância e distinção ao País". A Presidência da Câmara dos Deputados também divulgou nota lamentando o falecimento da ex-primeira-dama. O orgão manifestou "profundo pesar pelo falecimento da ex-primeira-dama Ruth Cardoso." Ainda na nota, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, completou: "Intelectual destacada, Dona Ruth ocupou papel de relevo no governo federal, na condução de programas sociais, quando da Presidência de seu marido, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ao presidente Fernando Henrique e sua família nossas condolências pela perda irreparável."

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