Ruth Cardoso será enterrada nesta quinta em São Paulo

Cortejo sairá da Sala São Paulo às 10 horas; ecumenismo político marca o velório da ex-primeira-dama

Roberto Almeida e Carlos Marchi, de O Estado de S. Paulo,

26 de junho de 2008 | 08h17

A ex-primeira-dama Ruth Cardoso será enterrada nesta quinta-feira, 26, no Cemitério da Consolação. O cortejo sairá da Sala São Paulo, na região central da capital paulista, às 10 horas. O velório da mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) teve início na manhã de quarta-feira e ficou aberto ao público até as 21 horas. Nesta quinta, o corpo continuará a ser velado em uma sessão fechada a parentes e amigos próximos.   Ruth Cardoso morreu na última terça-feira à noite, aos 77 anos, em casa, no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Ela sofria de arritmia grave decorrente de doença coronariana e desmaiou quando conversava com o filho Paulo Henrique. Na véspera ela passara por um cateterismo.    O velório da antropóloga se transformou numa demonstração de ecumenismo político e acadêmico, cuja culminância foi a chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visivelmente emocionado foi à Sala São Paulo acompanhado de sua mulher, Marisa Letícia, e de um grupo de ministros.   Veja também: Imagens do velório Ruth Cardoso foi bem mais que a mulher de um presidente, diz 'El País' Muito emocionado, FHC recebe cumprimentos de amigos Especial: cronologia da antropóloga Ruth Cardoso  Antropóloga, Ruth Cardoso era intelectual reconhecida 'Ruth Cardoso deu novo sentido ao papel de primeira-dama' Ruth foi mais que uma primeira-dama, dizem políticos Serra e Alckmin lamentam morte de Ruth Cardoso Lula diz que morte de Ruth 'é uma grande perda' para o Brasil Galeria de fotos da trajetória de Ruth Cardoso    Por alguns momentos, o espaço em torno do caixão, coberto com a bandeira nacional, se prestou a uma simbólica trégua ao reunir adversários políticos antes inconciliáveis. O abraço de Lula em Fernando Henrique foi prolongado, de uma forma que não se via desde que um transmitiu o cargo ao outro, há cinco anos e meio.   No saguão da sala de concertos construída no governo Mário Covas, circulavam acadêmicos de correntes diversas. Durante os 30 minutos em que permaneceu na cerimônia, Lula - que estava visivelmente comovido - conversou com aliados e adversários políticos.   Após abraçar Fernando Henrique, Lula ficou um tempo em silêncio ao lado do caixão com Marisa Letícia, enquanto Fernando Henrique acariciava a fronte da mulher e tirava constantemente os óculos para enxugar as lágrimas. Lula não fez questão de protagonizar a cena: algumas vezes ficou mais para trás, conversando com os governadores José Serra (também muito abatido) e Aécio Neves. Em dado momento, o atual e o ex-presidente ladearam Idalina, camareira do Palácio da Alvorada, que pediu a Lula para trazê-la na comitiva porque queria se despedir de Ruth, a quem servira por oito anos.   Estiveram no velório a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff - cuja presença provocou muitas expressões de discreto desagrado de tucanos que enchiam o saguão -, e os ministros Nelson Jobim (Defesa), Miguel Jorge (Desenvolvimento), Fernando Haddad (Educação), Hélio Costa (Comunicações), Edison Lobão (Minas e Energia) e Orlando Silva (Esportes), além do senador Aloizio Mercadante (SP).   Fernando Henrique recebeu condolências do ex-presidente americano Bill Clinton, da senadora Hillary Clinton e do Rei Juan Carlos I, da Espanha, em ligações recebidas durante o velório. Num salão próximo, dezenas de coroas de flores traziam mensagens de muitos Estados e de outros países da América do Sul.   O velório atraiu grande número de políticos de todos os partidos e acadêmicos de variadas tendências. Um dos primeiros a chegar, por volta das 11 horas, foi o governador Teotônio Villela Filho (PSDB-AL). À tarde, estiveram lá a governadora Yeda Crusius (RS), o senador Tasso Jereissati (CE), os deputados José Aníbal (SP), Edson Aparecido (SP), Julio Semeghini (SP) e Gustavo Fruet (PR), os candidatos à Prefeitura de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), Marta Suplicy (PT), Gilberto Kassab (DEM) e Soninha Francine (PPS).   Compareceram também muitos antigos colaboradores de Fernando Henrique, como os ex-ministros Pedro Malan (Fazenda), Francisco Weffort (Cultura), Paulo Renato (Educação), Euclides Scalco e Eduardo Jorge, que ocuparam a Secretaria-Geral da Presidência.

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