Ruth Cardoso morre em S. Paulo

Ela sofreu enfarte ontem à noite em sua casa; governo do Estado decreta luto oficial de três dias

Emilio Sant?Anna e Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2008 | 00h00

A ex-primeira-dama Ruth Cardoso, de 77 anos, morreu ontem às 20h40, no apartamento da família, em São Paulo. Um enfarte fulminante foi apontado pelos médicos como a causa da morte. Ruth tinha problemas cardíacos havia mais de dez anos e já passara por duas cirurgias para a implantação de stents - próteses metálicas colocadas no interior das artérias coronarianas para a desobstrução do fluxo sanguíneo. Veja especial sobre Ruth Cardoso Ela fora internada na quinta-feira passada no Hospital Sírio Libanês com fortes dores no peito, diagnosticadas como crise de angina - falta de irrigação sanguínea nos músculos cardíacos. Ruth permaneceu internada até segunda-feira de manhã, quando recebeu alta.No mesmo dia foi internada no Hospital do Rim e Hipertensão (ligado ao Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo), na zona sul de São Paulo, onde passou por um cateterismo - procedimento invasivo que serve para diagnosticar ou corrigir problemas cardíacos. Dessa vez, Ruth passou menos de 24 horas internada no hospital e foi liberada pelos médicos para ir para casa.Segundo o cardiologista Arthur Beltrame, médico que fazia o acompanhamento da ex-primeira-dama, o procedimento foi considerado "bem-sucedido" pela equipe clínica. "Ela tinha problemas coronarianos havia mais de seis anos e hoje teve uma morte súbita."Beltrame explicou que não havia motivo para mantê-la internada. "O cateterismo foi considerado normal e os médicos estavam contentes com o resultado. No entanto, a medicina não é uma ciência exata, não é onipotente", afirmou.Em nota do Hospital do Rim e Hipertensão, que foi lida ontem à noite em frente ao prédio em que mora a família, os médicos afirmaram que o problema arterial encontrado durante a realização do cateterismo foi o mesmo que já havia sido diagnosticado em 2004. De acordo com a nota, Ruth teve uma forte arritmia cardíaca antes de morrer. O comunicado é assinado pelos cardiologistas do Hospital do Rim e Hipertensão e da Unifesp, Arthur Beltrame, Valter Lima e Edson Stefanini.Ruth tinha um histórico de problemas cardíacos. Em 1998, ainda como primeira-dama, foi levada ao Hospital das Forças Armadas, em Brasília, com crise causada por uma arritmia cardíaca. Na ocasião, o mal-estar foi atribuído ao clima quente e seco do Distrito Federal.O governador José Serra decretou luto oficial de três dias no Estado. O velório será realizado na Sala São Paulo, no centro, a partir das 11 horas.

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