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Ruth Cardoso defendeu mais participação feminina no governo, diz FHC

Em seminário virtual, ex-presidente conta que antropóloga era feminista e queria maior representação das mulheres e também das classes populares

Bianca Gomes, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2020 | 21h39

Engajada com os movimentos sociais, a antropóloga Ruth Cardoso, que completaria 90 anos neste mês, defendeu mais participação feminina nos ministérios e nas indicações do então marido e presidente Fernando Henrique Cardoso ao Supremo Tribunal Federal (STF).

“A Ruth sempre teve um pendor para a composição feminina”, contou FHC nesta quarta-feira, 22, durante seminário virtual sobre a trajetória da antropóloga. O evento contou também com a presença de Beatriz Cardoso, pedagoga e conselheira da Fundação FHC, e do escritor e roteirista Antonio Prata

“Na hora de nomear ministro do Supremo, também. Não que influenciasse, ela sabia o que podia ou não, mas eu prestava atenção, botava mulher, botava negro”, contou o ex-presidente, responsável pela indicação de Ellen Gracie para o STF, primeira mulher a ocupar uma cadeira na Suprema Corte do Brasil. “Ela tinha uma visão clara: tem que ter representação de todos, inclusive das classes populares.”

Em 1999, durante participação no programa Roda Viva, a então primeira-dama saiu em defesa dos direitos das mulheres e falou sobre temas como gravidez na adolescência, desigualdade salarial entre homens e mulheres e aborto – pauta vista ainda hoje como tabu na política. “Acho que se deve garantir às mulheres o direito de usarem ou não essa possibilidade (aborto). Isso é um direito que as mulheres têm, mas não uma imposição.”

Ruth tinha uma visão democrática e liberal, diz FHC: “Era feminista”. E mesmo com tantas responsabilidades, levava tudo numa boa, conta o ex-presidente. “Ao mesmo tempo em que era mãe, dona de casa e mulher do presidente da República, era uma pessoa que acompanhava a cultura, a vida.”

Nascida em Araraquara, a antropóloga herdou da “vida interiorana” a habilidade com a comunicação, segundo FHC. “Sempre foi espontânea no modo de falar e deu atenção às pessoas sem olhar para o status.” Na política, não simpatizava com o rótulo de primeira-dama, mas soube usar a posição para trazer a sociedade civil para o debate das políticas sociais, como colocou o economista Ricardo Paes de Barros em outro seminário virtual. 

Com o Comunidade Solidária, um marco de sua trajetória, desenhou um modelo no qual poderia participar da sociedade civil e também da política. “Mas o coração sempre esteve com a sociedade. Nunca ao lado do poder” , disse FHC.

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