Russomanno quer pôr guarda dentro de escola

Líder nas pesquisas de intenção de voto, candidato do PRB afirma que isso ajudará a combater tráfico de drogas; educadores criticam projeto

Ricardo Chapola, de O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2012 | 03h09

O candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, prometeu nessa quarta-feira, 5, levar a Guarda Civil Metropolitana (GCM) para dentro das escolas municipais. O projeto do líder nas pesquisas de intenção de voto, que teria como objetivo prevenir o consumo de drogas, foi criticado por especialistas em educação, que questionaram sua utilidade e o classificaram de antipedagógico.

Russomanno afirma que os guardas podem criar vínculo de amizade com alunos, o que ajudaria a prevenir o uso de drogas. Ele criticou as políticas estadual e federal de combate ao tráfico.

"O guarda amigo vai ter amizade com as crianças, com os pré-adolescentes e adolescentes, e vai trabalhar na prevenção. Não adiantam só os programas de repressão que o governo federal e do Estado têm", afirmou o ex-deputado, antes de fazer uma carreata no Grajaú, na zona sul.

A PM dispõe de um grupo específico para patrulhar as entradas e saídas de alunos de escolas públicas e particulares, a Ronda Escolar. A GCM também atua nas portas de escolas municipais consideradas vulneráveis, no Programa de Proteção Escolar.

Críticas. Ir além dessas funções já estabelecidas seria, segundo educadores ouvidos pelo Estado, inadequado e até mesmo perigoso. "A GCM nas escolas vai criar mais atrito, gerar mais problemas do que soluções. Temos que nos preocupar com a aprendizagem das crianças", afirmou o professor da Faculdade de Educação da USP Ocimar Alavarse.

Outro problema apontado é a falta de preparo dos guardas para conviver com o ambiente escolar. "Até que ponto um guarda dentro da escola não vai criar um poder duplo? Não vai afetar a autoridade do professor? Não vão surgir casos de violência contra os alunos?", questiona a educadora Silvia Colello, também da USP. "São profissionais que recebem outra formação e não têm o preparo pedagógico para conviver com crianças e jovens", diz.

Incidência. Russomanno disse que sua ideia está apoiada em pesquisa feita pelo Ministério da Justiça. Segundo os dados que reproduziu, há uma incidência elevada de crianças entre 10 e 12 anos que já consumiram drogas leves, e também um alto número de adolescentes entre 14 e 15 anos que já usaram substâncias consideradas pesadas.

"As famílias estão preocupadas com o uso de drogas, mas não é colocando guarda nos corredores que vamos lidar com isso", avalia Angela Soligo, professora da Faculdade de Educação da Unicamp. "Uma proposta dessas cria uma falsa sensação de segurança e tira o foco do problema, que pede mais educação e mais orientação, não vigilância." / COLABOROU FELIPE FRAZÃO

Tudo o que sabemos sobre:
eleições 2012celso russomanno

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.