Russomanno promete denunciar 'burrice gerencial' de tucanos em São Paulo

Candidato do PP ao governo do Estado diz ainda que feridas na relação com Maluf estão cicatrizadas

Moacir Assunção e Gabriel Manzano/SÃO PAULO - O Estado de S.Paulo,

28 de junho de 2010 | 23h17

Candidato do PP de Paulo Maluf ao governo do Estado, o deputado federal Celso Russomanno vai enfrentar nesta disputa duas candidaturas de peso, que representam, respectivamente, o governo estadual e o federal: o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tem liderado com folga as últimas pesquisas de intenção de voto, e o senador Aloízio Mercadante (PT), que aparece em segundo. Diante de adversários tão poderosos, com enormes coligações, ele tem a mostrar apenas conversas com partidos nanicos como o PHS e o PTC, mas garante que vai ao confronto. Apesar de o seu partido integrar a base de apoio do PSDB na Assembleia Legislativa, afirma que vai mostrar o que chama de "burrice gerencial" dos tucanos, há 16 anos à frente do Estado, principalmente nas áreas de segurança pública, educação e saúde, temas que pretende atacar.

 

O que o sr. pretende fazer para se diferenciar dos candidatos melhor cotados?

 

Há duas candidaturas fortes, reconheço. Ambas contam com a máquina federal e estadual, o que atrai recursos e coligações. Entretanto, se eles são o pão do sanduíche, eu sou o recheio (riso), portanto o melhor para São Paulo. Sou o novo e tratarei de forma diferente dos problemas que nos atingem, colocando temas que jamais foram discutidos em campanhas.

 

Como está o seu partido nacionalmente e em São Paulo em termos eleitorais?

 

Nacionalmente, o PP caminha para a neutralidade entre as candidaturas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), com liberdade de ação para os Estados. Em São Paulo, tenho aparecido bem nas pesquisas, o que nos deixa animados.

 

Nas eleições de 2008, o sr. tentou sair para prefeito, mas houve uma briga, até com disputa judicial, com o presidente do partido, o deputado Paulo Maluf, que acabou sendo o candidato. Estas feridas estão cicatrizadas?

 

As feridas cicatrizaram, senão seria um problema sério. Tivemos problemas no passado, não por questões ideológicas, mas de espaço político no partido. Hoje, Maluf é um entusiasta da minha campanha, com a qual está muito animado.

 

No Estado, o PP integra a base do PSDB e o sr. tem por intenção focar temas sensíveis aos tucanos como saúde, segurança pública e educação. Não há um temor de brigar com o governo?

 

Não citarei pessoas, mas vou mostrar os problemas. Nestas áreas há muitas coisas a serem contestadas.

 

Quais são os principais problemas da saúde, por exemplo, em sua visão?

 

Não se investe em medicina preventiva e, em consequência, lotamos hospitais, pagando duas vezes pelo mesmo serviço. As pessoas não conseguem fazer exames, às vezes demoram um ano para conseguir. Gastamos muito e mal com saúde, somente preocupados em tratar doenças em vez de montar equipes do Programa Saúde da Família, por exemplo, para trabalhar com a prevenção.

 

E na educação?

 

Sou contra a progressão continuada, que vejo como uma forma de aumentar vagas, sem construir escolas. Isso tira totalmente a autoridade do professor e o estímulo para os bons alunos. Também não concordo com a política de oferecer bônus, que não se incorporam ao salário dos professores.

 

E em termos de segurança pública?

 

A polícia de São Paulo é a que pior paga no Brasil e, por causa dos baixos salários, o policial é obrigado a fazer bicos para complementar a renda. No ano passado, morreram 200 policiais no trabalho extra. Eu determinaria que os policiais fizessem hora extra na própria polícia. Os problemas são tão sérios que, caso seja eleito governador, não vou nomear secretário de Segurança, mas assumir a secretaria até que a situação melhore. Há uma burrice gerencial na gestão dos recursos.

 

E há recursos para se promover as mudanças?

 

Vamos aplicar melhor o orçamento, que ultrapassa os R$ 125 bilhões. Eu já fiz as contas e concluí que é possível fazer mais com os mesmos recursos, apenas aplicando-os de forma mais inteligente.

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