Helvio Romero/AE
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Russomanno minimiza carta da Igreja Católica contra PRB

Para candidato, reação da Arquidiocese é consequência de seu desempenho nas pesquisas; nota traz ataques ao coordenador de campanha e liga sigla à Igreja Universal

Ricardo Chapola, de O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2012 | 14h34

O candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, minimizou nesta sexta-feira, 14, a nota de repúdio emitida pela Arquidiocese de São Paulo, entidade máxima da Igreja Católica na capital, em que chama o PRB de partido "manifestadamente ligado à Igreja Universal". Para o candidato, são tentativas de requentar a história devido a sua liderança nas pesquisas de intenção de voto.

 

A nota, redigida a pedido de d. Odilo Scherer, ataca o coordenador de campanha de Russomanno e presidente nacional do PRB, Marcos Pereira. A Igreja Católica reagiu a um artigo escrito e publicado no blog de Pereira em maio de 2011. No texto, o presidente da sigla afirmava que a Igreja Católica tem o "controle das ações do governo, seja federal, estadual ou municipal" e responsabiliza indiretamente a instituição pela distribuição em escolas brasileiras do chamado "kit gay" - material didático de combate à homofobia criado na gestão do então ministro da Educação Fernando Haddad (PT), hoje adversário de Russomanno. "Estamos vivendo a política da catequização da Igreja de Roma e, por isso, certamente, estamos vivendo os últimos dias", dizia o artigo de Pereira. "Simplesmente nos impõem a ditadura das minorias."

 

"Esta era uma opinião de um blogueiro, que é o presidente do meu partido. Uma opinião de maio do ano passado, num contexto que era a sobre a distribuição da cartilha (kit gay). Estão requentando esta história toda porque estamos num bom momento político", disse Russomanno em caminhada pela zona norte de São Paulo.

 

Russomanno foi enfático quando questionado sobre ser uma reação da Igreja Católica contra o partido ao qual é filiado: "Quem vai governar São Paulo é Celso Russomanno", repetiu duas vezes após a imprensa insistir com a pergunta. Ele disse também não ter ficado chateado com d. Odilo Scherer. "É a opinião dele. Eu respeito a opinião de todo mundo. Ele evidentemente deve estar magoado com o que ele leu, apesar de isso ter acontecido em maio de 2011". O candidato ainda afirmou que agendará uma conversa com o arcebispo.

 

O artigo de Pereira só entrou na campanha esta semana, quando um usuário falso do Twitter passou a divulgá-lo na rede social. O perfil é identificado como José Alves e postou sua primeira mensagem há apenas quatro dias.

 

A campanha de Russomanno suspeita que adversários na disputa eleitoral sejam os responsáveis pela divulgação do texto de Pereira, com o objetivo de fomentar o embate. Líderes evangélicos e católicos influenciaram o debate eleitoral na campanha presidencial de 2010, quando se manifestaram contra candidatos que apresentassem propostas contrárias aos valores de suas igrejas. Petistas atribuem a esse movimento a queda de Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas às vésperas do 1.º turno, quando padres e pastores a acusavam de defender a descriminalização do aborto.

 

Neste ano, grupos religiosos ameaçaram atrelar o candidato do PT, Fernando Haddad, à elaboração do "kit gay" - o próprio Pereira previa isso em fevereiro. O petista era ministro da Educação quando a pasta encomendou o kit, cuja distribuição foi vetada pela Presidência.

 

Segundo Pereira, o texto é antigo. "Era uma época em que eu estreava o blog e vivíamos um momento específico, que era o possível lançamento do famigerado kit gay. Querem ressuscitar uma coisa do passado." O presidente do PRB disse que o artigo não foi um ataque à Igreja Católica. "Foi uma opinião sobre questão específica naquele momento."

 

Pereira também destacou que Russomanno é católico e foi irônico ao comentar trecho da nota que diz que integrantes da campanha "fomentam a discórdia". "Russomanno é católico. É ele que vai estar no poder, se vencer. E, portanto, não oferece nenhum risco, já que é católico".

 

Integrantes das campanhas de José Serra (PSDB) e Haddad já esperavam reação da Igreja Católica que apontasse as "contradições" do candidato do PRB, por causa da ligação de integrantes do partido com a Igreja Universal. Embora tenham se encontrado recentemente com d. Odilo, negam que fomentaram a reação.

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