Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Russomanno e Haddad prometem legalizar ambulantes

Candidatos adotam discurso contrário à política de Kassab, que tem restringido atuação de camelôs

Bruno Boghossian, Bruno Lupion e Isadora Peron

11 de julho de 2012 | 03h03

Em campanha pelas ruas de São Paulo nessa terça-feira, 10, dois candidatos à Prefeitura fizeram a mesma promessa: regularizar a situação dos vendedores ambulantes, que enfrentaram dias difíceis com o prefeito Gilberto Kassab (PSD). Fernando Haddad (PT) e Celso Russomanno (PRB) defenderam mais diálogo com a categoria e a definição de locais onde eles possam vender as suas mercadorias.

Ao lado do cantor e candidato a vereador Netinho de Paula (PC do B), Haddad caminhou por um calçadão de comércio popular em São Miguel Paulista, região leste da capital, e conversou com os ambulantes, que pediram um olhar mais cuidadoso para suas necessidades. "Não esquece dos ambulantes!", gritou Nailde Pereira, de 54 anos, dona de uma banca de bolsas e cintos no meio do calçadão. "O Kassab foi péssimo para nós", afirmou.

Haddad prometeu "mais diálogo" e sugeriu a criação de shoppings populares e feiras de ambulantes em horários predeterminados. "Há como acomodar esses interesses, mantendo a calçada livre para o pedestre e a rua organizada para o comércio formal", afirmou.

Já Russomanno visitou a região da 25 de Março, no centro da cidade, e ficou de marcar uma reunião com os comerciantes para discutir a questão. "Os próprios lojistas pedem apoio da Prefeitura para a regularização dos ambulantes. Nós vamos estudar caso a caso e discutir com a sociedade por meio de audiências públicas." O candidato também criticou os recentes conflitos entre polícia e camelôs. "A polícia tem que estar na rua para prender bandidos e fazer policiamento, que é o que não se faz aqui em São Paulo."

Ao ser questionado sobre o tema, o tucano José Serra, aliado de Kassab, disse que pretende trabalhar pela regularização dos camelôs, mas evitou avaliar as ações do prefeito. "É preciso criar alternativas para quem quer se dedicar ao comércio de uma maneira legalizada, mas não tem uma fórmula mágica."

Conflitos. Kassab e os ambulantes estão em pé de guerra desde 19 de maio, quando a Prefeitura revogou a licença dos cerca de mil camelôs que trabalhavam com autorização na cidade. A justificativa era abrir espaço para pedestres nas calçadas e aumentar o bem-estar da população. Após uma série de liminares, porém, o Tribunal de Justiça de São Paulo liberou definitivamente o trabalho dos camelôs que possuem a permissão para trabalhar.

Diante do revés judicial, a Prefeitura alterou seus planos e, na semana passada, publicou decreto definindo sete novos endereços para o comércio informal. Os novos locais, no entanto, não agradaram aos ambulantes.

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