Russomanno, do partido de Maluf, defende o Ficha Limpa

O pré-candidato do PP ao governo do Estado, deputado federal Celso Russomanno (PP-SP) jura que é favorável ao projeto Ficha Limpa - aprovado na semana passada no Senado e que já foi à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Russomanno, que promoveu uma reunião hoje em uma churrascaria da capital para falar de suas propostas, defendeu até sanções mais duras. "Sou favorável ao banimento definitivo da política de quem tem ficha suja. Infelizmente, o projeto aprovado prevê apenas oito anos de afastamento", disse.

MOACIR ASSUNÇÃO, Agência Estado

25 Maio 2010 | 21h35

Seu partido, entretanto, foi um dos principais inimigos do projeto na Câmara e fez um grande esforço para desfigurá-lo. Seu principal líder, o também deputado Paulo Maluf, seria declarado inelegível se a lei estivesse em vigor, por ter sido condenado por órgão colegiado.

Também presente ao evento, Maluf não se pronunciou sobre as declarações do correligionário. O tempo todo, ele lembrava que a pré-candidatura "era do Celso" - como se refere a Russomanno, com que disputou a candidatura à Prefeitura em 2008 até com ameaças de ir à Justiça - e não pretendia falar muito para não atrapalhar o aliado. Há 16 anos, Maluf é tradicionalmente o candidato do partido nas eleições majoritárias.

Outro aliado de ambos, o senador Francisco Dorneles (PP) foi o autor de uma polêmica emenda de redação que trocou os tempos verbais dos termos do projeto, o que foi visto como uma tentativa de proteger fichas-sujas. Ainda na Câmara, onze deputados do PP assinaram um destaque de autoria do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tido como um dos maiores opositores da proposta, que tentava vetar trecho da lei, que tornaria inelegível por oito anos por abuso de poder econômico ou político em eleições. Na prática, isso inviabilizaria o projeto.

CRÍTICAS - Embora o PP integre a base do ex-governador e pré-candidato José Serra (PSDB) na Assembleia, Russomanno fez fortes críticas ao governo do Estado, principalmente em relação à segurança pública e à educação. "Os policiais paulistas não praticam tiro. Recebem somente seis munições por ano, assim não entram em confrontos. Além disso, por receber baixos salários, são forçados a fazer bico, que representam 60% a 70 % dos seus rendimentos.", afirmou.

O parlamentar disse, ainda, que São Paulo paga o segundo pior salário do País para seus policiais, superado somente pelo paupérrimo Piauí. "Delegados de polícia ganham R$ 3,9 mil líquidos em início de carreira, enquanto um promotor ganha R$ 11 mil e ambos já foram equiparados". A Secretaria não comentou o assunto.

Russomanno criticou ainda a progressão continuada, criada pela Secretaria Estadual de Educação. "Para ganhar o bônus, que equivale a dois salários no fim do ano, os professores não repetem os alunos. Se o fizerem, a escola perde o bônus. Com isso, se estimula a mediocridade e, por não poder reprovar, os professores não são respeitados em sala de aula", disse.

O PP tenta atrair o PTB, também aliado do governo estadual, e até o DEM, eterno parceiro do PSDB, para sua candidatura. Aposta em "mágoas" dos Democratas contra o candidato tucano, Geraldo Alckmin, motivadas pela disputa na eleição municipal de 2008, quando ele foi contrário à aliança do PSDB com o DEM.

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