Russomanno calcula ataques para frear queda em pesquisas

Comitês redefinem estratégias para reta final da campanha paulistana, a mais disputada e indefinida desde a instituição do 2º turno

Julia Duailibi, Vera Rosa e Bruno Boghossian, de O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2012 | 19h01

A campanha paulistana chega à última semana com o cenário indefinido sobre quem estará no segundo turno. Líder nas pesquisas, o candidato do PRB, Celso Russomanno, tentará frear a queda já detectada nas intenções de voto respondendo a ataques dos adversários, mas sem "queimar pontes", principalmente com o PT, sigla que espera ver apoiando seu nome caso seja superada pela candidatura do PSDB no próximo domingo.Fernando Haddad, por sua vez, vai martelar o fato de ser o candidato da presidente Dilma Rousseff, que estará ao seu lado no palanque, e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fiador de sua candidatura. O candidato do PT concentrará esforços no eleitorado da periferia, onde seu desempenho, no momento, está bem abaixo daqueles obtidos por nomes de seu partido em sucessões anteriores. Para isso, mantém a estratégia de desconstruir Russomanno, cujo apoio é alto nessas áreas.

O tucano José Serra, que divide tecnicamente o segundo lugar nas pesquisas com o candidato do PT, vai se colocar como uma "escolha segura". Também vai explorar o antipetismo presente em setores do eleitorado paulistano, usando, para isso, o julgamento do mensalão. Para tentar lidar com a alta rejeição, manterá no ar propagandas nas quais garante que permanecerá os quatro anos no cargo caso seja eleito prefeito de novo.

Comitê do PRB reage, mas sem ‘queimar ponte’

A campanha do líder nas pesquisas de intenção de voto, Celso Russomanno (PRB), pretende blindar o candidato na reta final do 1.º turno, calibrando os ataques a Fernando Haddad (PT), que continuará como alvo principal. Em novas inserções no rádio e na TV, a propaganda falará em "mentiras" e "baixarias" contra Russomanno e o colocará como vítima dos adversários.

O marketing de Russomanno chegou a produzir um vídeo no qual havia ataques diretos a Haddad, mas o comando da campanha barrou o filme. Nele, um locutor dizia: "Conte comigo as mentiras do PT. Haddad se diz novo, mas ajudou a criar a taxa do lixo e a aumentar a dívida de São Paulo". O locutor citava como "mentiras do PT" questionamentos sobre inexperiência do candidato. "Cá entre nós, é isso que queremos para São Paulo?"

A orientação, no entanto, é evitar o uso do nome do petista nas inserções mais críticas, assim como fazer ataques diretos ao PT, potencial aliado num segundo turno, caso Haddad não passe para a nova etapa da eleição. O PRB é da base governista e tem boa relação com a presidente Dilma Rousseff. Nas últimas semanas, líderes do partido se encontraram com caciques petistas para discutir o tom da campanha em São Paulo.

O desafio da última semana é calibrar o discurso crítico que dificulte o crescimento de Haddad, sem tornar inviável a construção das pontes com o PT. O comando da campanha diz preferir José Serra (PSDB) como adversário num segundo turno. Primeiro, porque o tucano tem rejeição mais alta que Haddad. Depois, por avaliar que, contra o PSDB, teriam o apoio de PT, PMDB e PC do B.

Em novas inserções, a campanha de Russomanno rebaterá as críticas de inexperiência comparando a trajetória dele com a de Lula. Também insistirá na tese de que os adversários "mentem": "Sabe o que acontece quando os adversários agridem Celso Russomanno? Eles mentem, Celso cresce. Eles mentem, Celso trabalha. Eles mentem, Celso defende você. Não adianta apelar, o povo já cansou dessa baixaria".

"Vamos nos posicionar em relação às críticas que estamos recebendo, até porque o eleitor do Celso está cobrando isso dele", disse o presidente nacional do PRB, Marcos Pereira. O comitê sentiu os ataques do PT na semana passada, quando Haddad criticou propostas do candidato. No último Datafolha, Russomanno caiu pela primeira vez: cinco pontos porcentuais. Agora, lidera com 30% de intenções de voto.

A campanha também não decidiu se o candidato irá ao debate da TV Globo no dia 4. A emissora discute na Justiça se pode fazer o encontro com número menor de candidatos. Para a campanha, o ideal é que o debate não ocorra. Blindado, Russomanno evitaria riscos da exposição, sem arcar com o ônus de faltar ao evento.

Petista gruda sua imagem à dos padrinhos

Em busca dos votos perdidos para Celso Russomanno (PRB) na periferia, o candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad, vai nacionalizar a disputa na última semana de campanha, batendo na tecla do compromisso com os mais pobres. A estratégia terá tom emocional na despedida de Haddad na propaganda de TV. Tudo foi planejado para convencer o eleitor de que quem gosta da presidente Dilma Rousseff e de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, vota em Haddad, e não em Russomanno.

Com Dilma e Lula em seu palanque, no comício marcado para amanhã em Guaianases, zona leste, Haddad vai investir no discurso de que quem lançou programas pelos mais pobres no Brasil foi o governo federal do PT. Usará esse argumento para dizer que ele é o candidato credenciado para fazer o mesmo por São Paulo. A tática consiste em carimbar Russomanno como adversário "sem projeto e sem força política" e em associar o candidato do PSDB, José Serra, ao prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Haddad está tecnicamente empatado com Serra, de acordo com as últimas pesquisas de intenção de voto, e Russomanno ocupa o primeiro lugar. Na avaliação de Lula, se a campanha do PT conseguir desconstruir Russomanno e reconquistar redutos do partido na periferia, Haddad chegará no dia da eleição (7 de outubro) à frente de Serra, com apoio na casa de 25%.

Empenhado em eleger o ex-ministro da Educação para fincar estacas do PT em São Paulo, Lula vai participar da caminhada final da campanha, no centro, na sexta-feira, 5. "Nesses dias que faltam até a eleição podemos fazer o milagre da multiplicação dos votos", disse o ex-presidente.

A ideia do PT é destacar Haddad como integrante do "time" de Lula e Dilma. A dupla também aparecerá no último programa de TV do petista, na quarta-feira, 3.

"Vamos falar com o nosso público", resumiu o vereador Antonio Donato, coordenador da campanha de Haddad. "Além disso, a lembrança de que Serra representa Kassab será, mais uma vez, reforçada."

O PT insiste em jogar os holofotes sobre a aliança entre os dois para potencializar a rejeição de Serra, já que Kassab tem desaprovação na faixa de 44%, segundo pesquisas. A equipe petista ainda quer explorar o mote de que Serra abandonou a Prefeitura, em 2006, e pode usar o mesmo expediente agora, se eleito.

Apesar de mirar os mais pobres nos últimos dias da disputa, o comando da campanha de Haddad também tenta atrair eleitores da classe média que se afastaram do PT após o escândalo do mensalão. Na tentativa de demonstrar que Haddad tem prestígio no meio cultural, o PT promoverá, na terça-feira, um ato com intelectuais e artistas que apoiam sua candidatura.

Tucano se coloca como‘escolha segura’

Diante de adversários que se apresentam como novidade, a campanha de José Serra (PSDB), de 70 anos, vai tentar reforçar na última semana de propaganda eleitoral a imagem de que ele é uma escolha segura para o eleitor, contra as "apostas" que seriam Fernando Haddad (PT) e Celso Russomanno (PRB).

A campanha de Serra pretende levar à TV suas propostas e um portfólio de realizações de suas passagens pela Prefeitura e pelo governo do Estado. O objetivo é dar credibilidade à sua candidatura, como um político que "tira as coisas do papel".

Nessa linha, é citado como exemplo um programa exibido na semana passada que mostrava vídeos de Serra fazendo promessas na campanha de 2004, seguidas de imagens atuais de obras e equipamentos públicos.

Com foco no eleitorado tradicionalmente simpático ao PSDB, a equipe de Serra também vai manter um discurso ético contra os petistas. Com a previsão de início do julgamento de José Dirceu no processo do mensalão. A campanha de Serra tenta atrelar Haddad aos dirigentes do PT envolvidos no escândalo. A equipe também não descarta a possibilidade de atacar Russomanno na propaganda de TV e rádio.

A campanha ainda tenta reduzir a desconfiança dos eleitores sobre a possibilidade de Serra, se eleito, renunciar ao mandato para se candidatar a outro cargo - Em 2006, ele deixou a Prefeitura para concorrer ao governo estadual. Por isso, ele manterá em sua propaganda uma mensagem clara sobre o assunto. Os tucanos também adotaram como novo slogan "São Paulo fica melhor com Serra" e acreditam que a repetição da palavra "fica" tem impacto positivo sobre os descrentes.

O comitê do PSDB também aumentou os repasses de dinheiro e material para os candidatos a vereador dos partidos da coligação, que terão o papel de levar a campanha do tucano para os bairros da cidade. Eles receberão diretrizes claras para intensificar o trabalho de porta a porta e organizar dezenas de reuniões durante a semana para consolidar a candidatura de Serra.

Os tucanos pagaram pela impressão de 250 milhões de "santinhos" com as fotos do tucano e dos candidatos a vereador.

A campanha de Serra quer usar como trunfo a inserção regional dos 193 candidatos dos partidos da coligação que disputam vagas na Câmara Municipal.

Também está nos planos da equipe a ampliação do impacto visual da candidatura. Os tucanos pretendem encerrar a campanha de rua com um grande ato público na Sé, na quinta-feira, 4.

A ideia é organizar cinco caminhadas que se encontrarão no mesmo ponto do centro. O evento está previsto para o horário do almoço, para que os tucanos possam contar com a presença do governador Geraldo Alckmin.

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