Ruralistas voltam a pedir prorrogação de dívida

O assessor especial do Ministério da Fazenda para assuntos agrícolas, Gerardo Fontelles, informou que não há nenhuma definição oficial sobre o pedido dos bancos e das entidades ruralistas, para prorrogar até 31 de janeiro o vencimento das parcelas referentes a este ano da dívida agrícola securitizada em 1995. No total, os produtores deveriam ter pago R$ 431 milhões até hoje. Esse valor corresponde a 32,5% do prestação original de R$ 1,328 bilhão que deveria ter sido recolhida no dia 30 de outubro passado, mas já havia sido renegociado com o governo e o sistema financeiro há mais de um mês. Na ocasião, além de reduzir os vencimentos deste ano, o governo permitiu o alongamento do total da dívida securitizada - R$ 10,5 bilhões - por mais 25 anos, entre outros benefícios concedidos ao setor. Desta vez, os ruralistas conseguirama apoio dos bancos para mais uma prorrogação. Na semana passada, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) alegou que o sistema operacional das agências não está apto a processar todos os pagamentos. Segundo o vice-presidente do Banco do Brasil para assuntos agrícolas, Ricardo Conceição, o adiamento para 31 de janeiro será uma medida bem-vinda, se autorizada pelo governo. O BB é credor de 80% das dívidas do setor rural.Segundo Conceição, embora o BB não tenha concluído as alterações em seu sistema operacional para receber o pagamento de todos os produtores, está recebendo os depósitos daqueles que estão procurando as suas agências. Cerca de 300 mil produtores foram beneficiados pela renegociação, dos quais 200 mil são clientes do BB. As negociações e a pressão da bancada ruralista para adiar mais uma vez o pagamento da parcela securitizada deve continuar na próxima semana. Se o prazo não for alterado, os produtores podem ser considerados inadimplentes e ficar sujeitos à inscrição na dívida ativa da União e no Cadastro de Inadimplentes do governo (Cadin). Com isso, não terão direito aos demais benefícios previstos na medida provisória que formalizou a negociação, como desconto nos juros e prazo de 25 anos.

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