Ruralistas cobram de ministros medidas agrícolas no PAC

Os parlamentares da bancada ruralista deram mostras na terça-feira, 12, de que vão pressionar o governo para conseguir novas medidas para o setor, em troca da aprovação dos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em coro, os ruralistas criticaram a ausência no programa do governo de medidas voltadas para o setor, afetado pela valorização do real frente ao dólar que diminui a competitividade das exportações brasileiras no mercado internacional. "Tem agência reguladora para tudo, mas não tem para o setor agropecuário", reclamou o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO). O líder da oposição na Câmara, deputado Júlio Redecker (PSDB-RS), um dos representantes do setor de comércio exterior, também endossou as críticas dos ruralistas. "Não há no PAC uma única linha voltada para o setor de agronegócios, que representa 40% do PIB brasileiro", afirmou. Ministros rebatem A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, por vários momentos da audiência reagiu às cobranças dos ruralistas, afirmando que o PAC beneficia a todo o setor produtivo, inclusive o de agronegócios, porque prevê investimentos na infra-estrutura, que aumenta a produtividade nacional. "O PAC não é um programa só para a indústria", afirmou a ministra. "É para todo o setor produtivo". O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, em entrevista após a audiência na Câmara, também comentou a pressão dos ruralistas: "Nós viemos com espírito aberto para debater e melhorar o que for possível. Agora não se pode ter esse espírito de tirar alguma coisa, de conseguir alguma coisa. O programa é importante para todos os setores", disse. Segundo Bernardo, com a melhora do sistema de logística, todos vão ganhar inclusive a agropecuária. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, endossou a opinião dos colegas e disse que, embora não esteja diretamente contemplado no PAC, o setor agropecuário se beneficiará dos investimentos em infra-estrutura. Como exemplo, ele citou a modernização da BR-163, que liga o norte do estado de Mato Grosso ao porto de Santarém (PA). "Essa é uma obra prevista no PAC que vai beneficiar o escoamento da soja e vai beneficiar diretamente um dos principais produtos de exportação do Brasil", disse. Críticas ao programa A audiência sobre o PAC durou quase sete horas, mas o debate foi superficial, já que os líderes dos partidos aproveitaram o tempo para discursar, apenas, e a maioria não fez perguntas aos ministros, que passaram a maior parte do tempo sem falar, escutando os longos discursos. Os parlamentares também não apresentaram aos ministros propostas concretas para mudar o PAC. Os da oposição preferiram criticar o programa e os dos partidos aliados, a defendê-lo. O deputado Paulo Maluf (PP-SP) chegou a propor a "estatização do Banco Central", que segundo ele favorece os banqueiros com os juros. A proposta foi motivo de risos no plenário.

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