Ruralistas cobram ação de Alckmin para evitar conflito no Pontal

A União Democrática Ruralista (UDR) e a Comissão Fundiária da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) vão pedir ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) uma ação rápida para evitar conflitos no Pontal do Paranapanema. Segundo o presidente da UDR, Luiz Antonio Nabhan Garcia, na nova onda de invasões conhecida como "abril vermelho", os militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) estão acampando muito próximos das casas sedes, numa atitude provocativa. "O risco de confronto é iminente e pode acontecer uma tragédia." Segundo o ruralista, a região está transformada em um território sem lei. "A justiça manda sair, eles saem, mas invadem de novo e não há como evitar. É um deboche que denigre a imagem do governo." O pedido de audiência deve ser encaminhado amanhã. De acordo com o integrante da comissão fundiária, Almir Soriano, nas áreas invadidas há risco de reação. "Temos pedido aos produtores que não entrem no jogo do MST e não façam violência também, mas não temos mais voz para isso." Para Soriano, a situação está fora de controle. "Que produtor tem cabeça para trabalhar sabendo que sua propriedade pode ser invadida uma, duas, quantas vezes eles quiserem?" Das 10 áreas ocupadas pelo MST na região, duas foram invadidas duas vezes: a fazenda Tupiconã, em Presidente Epitácio, e a Nazaré, em Marabá Paulista. A justiça deu ontem prazo de 48 horas para que os sem-terra saiam da Tupiconã, reocupada sexta-feira. O advogado da Nazaré, Joaquim Botti, também entrou com pedido de reintegração. A proprietária da São Camilo, Mércia Cristina Lopes, deve entrar com o pedido hoje. A fazenda, localizada em Presidente Venceslau, foi invadida domingo. Os proprietários das fazendas Três Sinos e Santa Rosa, em Caiuá, e São Luiz, em Presidente Venceslau, invadidas pelo Mast, também obtiveram mandados de reintegração. O coordenador do Mast, Hélio Ferreira, disse que as áreas não serão desocupadas. A UDR vai organizar a Marcha do Campo no dia 28 próximo, em Presidente Prudente, para chamar a atenção da sociedade para o problema das invasões. "Queremos mostrar a importância do agronegócio para o País", disse Garcia. Inspirada no Maio Verde, lançado no Rio Grande do Sul, a mobilização pretende reunir mais de mil produtores. Com o tema "O Campo exige Respeito", a mobilização será feita em conjunto com outras entidades ruralistas.

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