Ruralistas bloqueiam passagem dos sem-terra no RS

Na véspera do Dia Internacional de Luta Pela Terra foi tensa no Rio Grande do Sul, provocando acusações de uso de armas de fogo no enfrentamento entre sem-terra e ruralistas em Hulha Negra, a 400 quilômetros de Porto Alegre, e revelando uma nova estratégia dos proprietários rurais: a de bloquear os acampamentos organizados pelo MST.Sabendo que 550 sem-terra preparavam-se para marchar de Hulha Negra a Bagé, na zona sul do Estado, 600 produtores postaram-se na BR-293, dispostos a impedir a manifestação que, segundo eles, poderia se transformar em invasão a alguma fazenda da região. Quando os sem-terra tentaram sair de seu acampamento, houve alguns disparos para o alto. Os sem-terra disseram que os fazendeiros portavam armas de fogo. Os ruralistas alegam que houve apenas o espocar de alguns foguetes. Ao final da tarde, os fazendeiros condordaram em liberar a passagem dos sem-terra desde que eles se deslocassem caminhando, sem usar os dois ônibus que estavam estacionados no acampamento. Mas tanto os sem-terra quanto os ruralistas entenderam que não havia policiamento suficiente - apenas 25 agentes da Brigada Militar estavam no local - para garantir uma manifestação sem incidentes, e o protesto não saiu.Outros acampados, no município de Arroio dos Ratos, a 60 quilômetros da capital, conseguiram caminhar por quatro quilômetros na BR-290, para exigir a desapropriação da Fazenda Polar. Na sede da propriedade, mostraram à imprensa casas abandonadas.Em Júlio de Castilhos, os produtores rurais que haviam impedido a saída dos ônibus e caminhões que transportaram os invasores até a Fazenda Bom Retiro, na segunda-feira, voltaram às suas atividades rotineiras, deixando equipes de vigília na entrada da propriedade e na sede do sindicato rural. Os veículos foram liberados.Os sem-terra tem prazo até as 18 horas desta quinta-feira para sair do local, dado pela juiza Karen Pinheiro, que concedeu reintegração de posse às proprietárias Elenita e Noeli Marçolla. Um dos líderes do movimento, Ailton Croda, disse que os invasores não costumam descumprir decisões judiciais, mas insistiu na exigência de uma reunião com o superintendente regional do Incra, Jânio Guedes da Silveira, antes da desocupação da fazenda.Invadida na última quinta-feira, a Cabanha Santa Bárbara, em São Jerônimo, a 70 quilômetros de Porto Alegre, foi desocupada ainda no final de semana. Mas a proprietária Carla Schneider registrou a ocorrência de furto de ferramentas, tonéis e um motor elétrico durante a ação dos sem-terra. A delegacia de polícia do município instaurou inquérito para investigar o caso.

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