Ruralistas apontam falta de projetos no PAC para agronegócio

Representantes de entidades ruralistas consideraram "frustrante" para o setor o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, ao não incluir a agricultura e a pecuária no plano, o governo mostrou que tem "preconceito" contra o agronegócio. "Como o Brasil voltará a crescer se o presidente não prestigia a produção de alimentos, que é a vocação do País?", questionou. Nabhan disse ter recebido ligações de produtores rurais indignados com o "descaso" do governo com o setor. Segundo ele, o plano contempla a cana-de-açúcar, mas não faz referência a outros grãos, nem às carnes. "Na tenho nada contra a cana, mas o brasileiro não se alimenta de açúcar e álcool." Nabhan disse que as bancadas ruralistas na Câmara e no Senado serão acionadas para alterar a proposta. De acordo com o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho, a agricultura ficou "em segundo plano". Para ele, o programa não traz nenhuma medida direta para o setor agrícola. "A agricultura é o segmento que mais contribui para a economia do País, mas foi desprestigiada." Ramalho acredita o setor poderá se beneficiar dos resultados dos investimentos em infra-estrutura - que ficaram aquém do necessário -, bem como da proposta que pretende definir claramente a competência de Estados, municípios e União sobre a legislação ambiental. "Porém, são medidas de médio e longo prazo, além de modestas se comparadas aos benefícios que a agricultura proporciona na geração de emprego e renda." Na avaliação de Ramalho, o governo tem que construir um cenário econômico mais favorável ao desenvolvimento das PPPs, já que conta com o capital privado para tocar os projetos de infra-estrutura. "Os investidores têm dinheiro, mas querem segurança jurídica, contratos sólidos e regras claras."Para o presidente do Movimento Nacional dos Produtores (MNP), João Bosco Leal, o sentimento do setor é de frustração. "O presidente nem tocou em assuntos que nos interessam, como o alongamento no perfil da dívida do setor." Segundo ele, sem sair do endividamento, o agricultor não tem como investir na produção. "Crescer como, se as lavouras estão sendo plantadas sem tecnologia, por falta de capital?" Para ele, o governo comete "uma burrice sem tamanho" ao deixar o agronegócio fora do PAC.

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