Ruralistas ameaçam atrasar reformas em represália ao MST

A bancada ruralista da Câmara ameaça atrasar a tramitação das reformas, em represália ao comportamento do governo com o Movimento dos Trabalhadores dos Sem-Terra (MST). Com uma bancada de 154 do total de 513 deputados, os ruralistas querem que o governo Lula resolva rapidamente o problema das invasões de terra. "O que existe hoje é um extremo constrangimento dos deputados da base do governo que são ligados à área rural. A confiança que tínhamos no governo foi quebrada e é lógico que isso afeta o nosso relacionamento com o governo e o andamento de suas propostas no Congresso", disse o deputado Abelardo Lupion (PFL-PR), um dos líderes dos ruralistas na Câmara. Ele afirmou que o governo está prejudicando os deputados que são seus aliados. Para o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), as atitudes do governo em relação aos sem-terra já estão se refletindo no Congresso. "Já se conversa em atrasar as reformas", contou. "Se o governo perder o controle no campo, acaba perdendo o apoio no Congresso", completou o ruralista. E avisa que os ruralistas vão reagir fortemente caso sintam que o governo "está minando suas bases". "Há um descontentamento generalizado na bancada ruralista", observou.Na opinião do deputado Augusto Nardes (PP-RS), o governo tem de ser duro na defesa do direito à propriedade. "A tendência é haver uma reação na obstrução dos trabalhos no Congresso, caso o governo não mantenha um freio nos sem-terra", afirmou Nardes. Ele acusou o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, de incentivar as invasões de terra. "Se o princípio do direito à propriedade não vigorar, com certeza isso se refletirá em um atraso nas reformas", ameaçou.O vice-líder do governo na Câmara, deputado professor Luizinho (PT-SP), tentou minimizar a ameaça dos ruralistas. "A opinião deles sobre o MST não é a mesma que a nossa. Mas isso em nada atrapalha o andamento das reformas", afirmou. E aproveitou para criticar os pedidos de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara para investigar o MST. O líder do PFL, deputado José Carlos Aleluia (BA), e o ex-ministro Raul Jungamann já começaram a recolher assinaturas para criar a CPI. "O Jungmann não fez reforma agrária e sim aglomerados humanos. Nós vamos fazer reforma agrária, com infra-estrutura e apoio técnico. Se acham que no MST há violência, na UDR (União Democrática Ruralista) também tem", reagiu Luizinho. "Essa CPI é espuma. Deveriam ter incluído também a UDR", completou.

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