Ruralistas acusam governo Lula de "conluio" com MST

O presidente do Sindicato Nacional dos Produtores Agrícolas (Sinapro), Narciso da Rocha Clara, acusou hoje o governo federal de promover um "conluio maquiavélico, vermelho e diabólico" com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) contra os direitos de propriedade dos fazendeiros. Rocha Clara informa que o Sinapro tem 160 mil associados em todo o território brasileiro. De acordo com o ruralista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva incentiva a ação do MST, em "claro apoio à criminalidade". "O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, um militante do MST, inflama as invasões nas fazendas ao defender aumento de receitas para as cooperativas dos sem-terra no Pontal do Paranapanema (SP)", ressaltou. "Tudo isso com o ministro da Justiça, Márcio Tomaz Bastos, em silêncio. Quem cala, consente?, afirmou. O ruralista acusou ainda o procurador-geral da República Cláudio Lemos Fontelles, de também participar do "conluio pró-MST". "Há três dias, o procurador pronunciou ser legal e legítimo invadir terras improdutivas. Isso é apologia ao crime", disse ele, que promete ir à Justiça pedir o afastamento de Fontelles. Radicalizar pela direita"O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) radicalizou pela esquerda. Vamos radicalizar pela direita", promete Rocha Clara. Ele afirma que, "em última tentativa de defesa da propriedade", o sindicato contratou a empresa de segurança patrimonial American Security para vigiar fazendas em nove estados (São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco e Bahia).A primeira área a ser vigiada fica no Vale do Ivaí (PR), onde, segundo o produtor rural, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) pretende fazer 300 vistorias técnicas nos próximos dias. "O MST promete invadir as propriedades nessa época e não vamos deixar isso acontecer", promete. "Temos 338 fazendas invadidas em 22 Estados e com a reintegração de posse concedida pelo Poder Judiciário, mas os governos estaduais e as polícias locais não cumprem a decisão".

Agencia Estado,

16 de julho de 2003 | 17h43

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