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Rumo ao centro

O recuo de Doria de sua apressada pré-campanha presidencial é resultado de um movimento maior, que engloba os principais partidos da aliança que hoje dá sustentação ao governo impopular de Temer

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2017 | 03h00

A polarização da campanha entre Lula e Jair Bolsonaro, apontada nas últimas pesquisas, levou o prefeito de São Paulo, João Doria, a recuar de sua apressada pré-campanha presidencial e pregar por uma união das forças de centro em 2018.

Escrevi no domingo sobre as nuances do timing político e citei o prefeito como exemplo de como a pressa pode sepultar até candidaturas eleitoralmente viáveis. Doria faz um claro recuo. Ele foi pré-combinado com Geraldo Alckmin e outras lideranças tucanas, como Fernando Henrique Cardoso.

E é resultado de um movimento maior, que engloba os principais partidos da aliança que hoje dá sustentação ao governo impopular de Temer. PSDB, PMDB, DEM e PSD reforçaram diagnóstico de que, caso Lula esteja no páreo, a pulverização de candidatos no campo da centro direita apenas jogará água no moinho de Jair Bolsonaro.

A constatação, fruto de conversas sobre como conduzir a agenda depois do arquivamento da segunda denúncia contra Temer, também fez com que DEM e PSD voltassem a negociar posições numa possível chapa única desses partidos governistas, com as siglas do Centrão acopladas.

Não se trata de desistência de nomes como Doria e Henrique Meirelles. Eles podem voltar a se movimentar e a forçar para que haja mais de uma candidatura da centro direita caso haja alguma decisão que tire Lula do páreo, ou alguma revelação que lhe cause dano mais sério. Enquanto isso não acontece, a tentativa será de criar um bloco identificável pelo mercado e pelo eleitorado médio como mais “racional” para evitar a radicalização da disputa.

NA TV

Meirelles deve ser estrela em propaganda do PSD

Enquanto trabalha para que o PSD esteja em 2018 numa aliança mais ampla com PSDB e PMDB, Gilberto Kassab deixa Henrique Meirelles como um trunfo. Por isso, o ministro da Fazenda deverá ser a estrela do programa de TV do partido, no início de dezembro.

CLIMÃO

Sem candidatura de Doria, Covas pode disputar eleição

A decisão de Doria de afastar Bruno Covas da Secretaria de Prefeituras Regionais deixou sequelas, a despeito de seu deslocamento para a articulação política. O vice avalia disputar prévias para o governo do Estado caso o prefeito decida ficar no cargo.

SEGURANÇA 1

Planalto vê desastre em declarações de ministro

O governo considerou desastrosa a declaração do ministro Torquato Jardim (Justiça) de que comandantes militares do Rio seriam “sócios” do crime organizado. A avaliação é de que a fala vai dificultar as ações conjuntas das Forças Armadas e das polícias locais e impedir medidas para atacar o problema de “contaminação” das forças de segurança – que existe e estava sendo mapeada, mas que ainda iria requerer um trabalho de inteligência que fica dificultado com a verborragia ministerial.

SEGURANÇA 2

Vazamento de operações em favelas foi tema de reuniões

A desconfiança de associação entre polícias do Rio e o crime foi agravada pelos resultados pífios de operações realizadas pelas Forças Armadas em favelas. A suspeita de que houve vazamentos, e de que eles partiram de postos de comando, foi relatada pelo governo federal a representantes do governo do Rio nas reuniões a que Torquato se referiu na polêmica entrevista.

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