José Patrício|Estadão
José Patrício|Estadão

Rui Falcão: ‘Tardamos a perceber a conspiração’

Para o presidente nacional do PT, Dilma Rousseff foi vítima de conspiração

Entrevista com

Rui Falcão, presidente nacional do PT

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 05h00

Para o presidente nacional do PT, Rui Falcão, a presidente afastada Dilma Rousseff foi vítima de uma conspiração que o PT e o governo demoraram para perceber. Segundo Falcão, o objetivo final dos “golpistas” é impedir a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência em 2018.

O PT costuma colocar a culpa pela derrocada do governo Dilma nos adversários, na imprensa, no sistema político/eleitoral e até em ex-aliados. O PT vai assumir seus erros?

Fica cada dia mais claro que o golpe contra Dilma – sem base legal porque ela não cometeu qualquer crime – é um atentado à democracia e às transformações promovidas pelo PT ao longo dos últimos anos. A elite dominante, a mídia monopolizada, a direita e setores do aparato estatal não conseguem conviver com a ascensão social e as conquistas dos setores despossuídos e discriminados. Por isso também, o golpe visa criminalizar o PT e impedir eventual candidatura do Lula em 2018. Tardamos a perceber o desenvolvimento da conspiração, que não começou com o pedido de impeachment.

Quando o PT vai fazer uma autocrítica?

Já no 3.º Congresso do PT (em 2010), logo após o episódio do chamado mensalão, houve uma autocrítica coletiva e sugestões de mudanças no funcionamento e em práticas partidárias. Temos nos desculpado pelo fato de os governos do PT não terem promovido a democratização dos meios de comunicação, nem terem realizado a reforma política, sem a qual o sistema político continuará vulnerável e a induzir falhas no comportamento ético-moral.

Desde o ano passado, o senhor e outros petistas têm falado em uma renovação ou reconstrução do PT. Quando e de que forma isso vai acontecer?

Temos nos empenhado em fortalecer as instâncias de decisão, instituímos a paridade de gênero em todos os níveis de direção – único partido no Brasil a fazê-lo – e as quotas de jovens e étnico-raciais. Vamos agora renovar os setoriais e reforçar as campanhas de autossustentação financeira. Além disso, reatamos fortemente com o movimento popular e sindical, seja diretamente e/ou graças à nossa participação na Frente Brasil Popular.

Como o PT pretende conciliar essa reconstrução com os interesses eleitorais de lideranças petistas? Isso é um dilema?

Não há contradição. O conjunto das lideranças apoiou as mudanças e participa dos debates partidários em diferentes fóruns, inclusive nos diretórios de vários níveis.

Quais serão as bandeiras do PT na oposição?

(Michel) Temer será um presidente biônico, ilegítimo, fruto de um golpe e sem respaldo do voto popular. Por isso, não o reconheceremos. Faremos oposição em coerência com o nosso programa, combatendo qualquer medida que revogue direitos, restrinja a participação popular e signifique retrocessos. 

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