Rui Falcão sai em defesa de Vaccari

Presidente do PT afirma que não há nenhuma denúncia comprovada envolvendo o tesoureiro do partido. 'Estado' mostrou que Vaccari deixará conselho de Itaipu

TÂNIA MONTEIRO, Estadão Conteúdo

23 de outubro de 2014 | 10h13

O presidente do PT, Rui Falcão, saiu em defesa do tesoureiro do PT, João Vaccari, que estaria sendo acusado pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef de arrecadar propina para o partido. Falcão negou e disse que "não há nenhuma denúncia comprovada envolvendo o companheiro Vaccari". E afirmou: "Ele permanece cuidando das contas do PT".

Em relação à saída de Vaccari no Conselho de Administração da Usina Hidrelétrica de Itaipu, divulgada nesta quinta-feira, 23, pelo Estado (clique aqui para ler), Rui Falcão disse que "essa decisão é do governo". Mas o presidente do PT contou que Vaccari lhe informou que quer deixar o cargo, cujo mandato só vence em 16 de maio de 2016, ainda este ano. "Ele me disse isso antes do surgimento destas denúncias infundadas", comentou. Vaccari justificou, segundo ele, que deseja ter mais tempo para se "concentrar" apenas nas questões do partido.

Questionado se pretende promover um saneamento do partido em função das denúncias, respondeu: "O PT não convive com malfeitos e atos de corrupção. Qualquer denúncia comprovada, que envolva militantes do PT, passará pelo crivo do estatuto, das regras partidárias, que exigem conduta ética e irrepreensível dos nossos militantes, inclusive no que diz respeito à fidelidade partidária".

Falcão declarou que, passadas as eleições, o PT vai fazer uma avaliação interna para discutir seu futuro porque quer um "partido mais próximo das bases". Ele não disse, mas uma das avaliações internas defende a redução da influência que os quadros de São Paulo têm no partido. 

No caso de um segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, ele anunciou que o partido vai "se renovar" e "dar mais efetividade nas campanhas pela reforma política". Quanto ao espaço do PT em um segundo mandato, avisou que "tem de ter um tempo para as conversas políticas", mas ressaltou que a preocupação do partido é com a "influência nas políticas públicas de governo, mais do que com postos a serem ocupados". Justifica que quer que "as políticas públicas que o PT defende possam ter visibilidade, presença e eficácia".

Petrobrás. O presidente do PT classificou de "manobra de conteúdo eleitoral" a decisão da agência de classificação de risco Moody's de rebaixar a nota de crédito da Petrobrás por preocupações com o endividamento e o caixa negativo da empresa.

"Precisava de mais dois rebaixamentos de nota para ter um efeito prático", ironizou Falcão. "Acho que é mais uma investida, uma tentativa político-eleitoral, como nós já vimos outras vezes fazerem estas agências de risco, cuja reputação, desde a queda do Lehman Brothers, precisa ser avaliada", atacou o petista.

Falcão condenou, ainda, o que chamou de "interferência indevida" do jornal britânico Financial Times, que publicou matéria em defesa da candidatura do tucano Aécio Neves, e sobre as sucessivas quedas na Bolsa de Valores, aliadas à alta do dólar, sempre que a candidata do PT à reeleição sobe nas pesquisas, avisou: "Tem muita gente ganhando dinheiro com manipulação de pesquisas".

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