Rui Falcão propõe suspensão imediata do recebimento de doações empresariais pelo PT

Em documento apresentado ao Diretório Nacional, presidente do partido também faz duras críticas às investigações da Lava Jato

Ricardo Galhardo , O Estado de S. Paulo

17 Abril 2015 | 16h37

São Paulo - O presidente nacional do PT, Rui Falcão, propôs nesta sexta-feira, 17, ao diretório nacional a suspensão imediata do recebimento de doações empresariais pela legenda. Em um documento de sete páginas apresentado nesta sexta, durante reunião do diretório que acontece na sede do partido, no centro de São Paulo, Falcão faz duras criticas à condução das investigações da Operação Lava Jato e diz que está se criando um "estado de exceção".

No documento, elaborado dois dias depois da prisão do então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, Falcão propõe "suspender imediatamente o recebimento de qualquer tipo de contribuição de empresas; levar esta proposta a debate e deliberação no 5º Congresso do PT (que acontece em junho); conclamar os partidos aliados a se unirem ao PT nesta opção; e fortalecer ainda mais a mobilização política e social por uma reforma política que estabeleça o financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais."

Segundo o documento, de autoria coletiva e sobre o qual Falcão assume a responsabilidade, o PT é alvo da "mais feroz campanha de desmoralização já lançada contra um partido". O texto afirma que o partido foi construído "com sangue, lágrimas, sofrimento e esperança de milhões" de brasileiros e que agora está ameaça do por esta campanha "conduzida por agentes do estado que sequer disfarçam seu engajamento partidário". Ainda segundo do documento, "fica cada dia mais evidente o proveito político e partidário a que a investigação tem servido".

Falcão questiona no texto por que a investigação foca apenas no PT e nos governos da oposição. "Estamos assistindo ao nascimento de um estado de exceção dentro do estado de direito".

Autocrítica. O documento também faz uma autocrítica ao questionar a acomodação do partido o sistema político atual. "A verdade no entanto é que não tendo conseguido mudar o sistema político acabamos por nos adaptar a ele passando a reproduzir o comportamento dos partidos tradicionais que tanto criticamos".

Segundo o documento, o financiamento de campanhas "tornou-se elemento central das relações entre partidos especialmente na formação de acordos e coligações entre as maiores legendas e seus aliados".

"A conquista de votos não tem se misturado à luta de massas de tal sorte que se possam criar condições de construir uma força política organizada e estável, um verdadeiro bloco histórico capaz de inverter a correlação desfavorável na sociedade de impulsionar mudanças estruturais", diz o documento.

Falcão conclui o texto afirmando que "é preciso mudar o PT para continuar mudando o Brasil".

 

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