Rafael Arbex/Estadão
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Rui Falcão diz não ver risco para mandato de Dilma em ação do TSE

Presidente do PT minimizou iniciativas da Justiça Eleitoral para investigar a campanha da candidata petista

Ana Fernandes e Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2015 | 18h08

São Paulo - O presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse não ver risco para o mandato da presidente Dilma Rousseff pelo fato de a maioria dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral ter aceito recurso do PSDB para investigar a campanha de Dilma e do vice Michel Temer (PMDB).

A ação pede a cassação de mandato. O dirigente petista também não vê risco maior para a presidente na iniciativa do ministro Gilmar Mendes de pedir investigação de uma das empresas fornecedoras da campanha. "Acho que é mais fogo de artifício do que base real para qualquer contestação da eleição de Dilma", disse Falcão. Segundo o dirigente, o governo vai entrar com medidas jurídicas para defender as contas da campanha. "Estão mexendo com coisas já julgadas", argumentou. 

Falcão participou, nesta quinta-feira, 27, de um seminário em que lideranças petistas discutem organização partidária e rumos para a legenda. Para Falcão, há a prevalência na oposição hoje da teoria de enfraquecer Dilma até o fim do mandato, mas a opção de derrubá-la perdeu força. 

"Aparentemente há uma tática de mantê-la sob fogo cerrado para enfraquecê-la, porque não interessa um clima de conturbação que, no período de crise econômica, é pior ainda", disse ao lembrar o apoio recente à legitimidade do mandato e à estabilidade política feito por empresários de renome, como Abilio Diniz e Roberto Setubal. "Quando junta crise econômica com crise política, todos saem perdendo", completou.

Rui Falcão disse não ver hoje uma unidade interna no PMDB, nem no PSDB e menos ainda entre os dois partidos. "Não que o PMDB tenha interesse nisso (impeachment), mas sem um bloco de forças coerente com a ideia do afastamento da Dilma, isso não ocorrerá."

Sobre a aproximação do vice-presidente Michel Temer com empresários, depois de Dilma ter recebido empresários na terça-feira, 25, Falcão avaliou como algo normal e sem qualquer sinalização de uma tentativa de Temer viabilizar eventual governo. "Não é pra botar o Temer como alternativa, tenho certeza que não. O Temer não se propõe a isso", afirmou. Nesta noite, Michel Temer participa de um jantar organizado por Paulo Skaf, na Fiesp. Falcão afirmou que, até o momento, Temer só tem "dado provas no sentido contrário", não de prejudicar, mas de auxiliar o governo. Para Falcão, não há qualquer clima de intriga ou de acordo entre PSDB e PMDB para afastar a presidente. "É só da mídia monopolizada e dos partidos que fazem oposição aberta à gente."

Possível ruptura. Falcão desconversou sobre a possibilidade crescente de o PMDB decidir romper com o governo e entregar ministérios, em congresso da legenda marcado para novembro. "Não sei se também eles vão romper com o governo talvez resolvam ter uma posição de autonomia pensando na eventual candidatura em 2018, que é o que alguns líderes do PMDB têm dito", avaliou. 

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