Rui Falcão critica 'mídia monopolizada' e 'Judiciário conservador'

Declarações do presidente do PT foram feitas durante encontro de prefeitos e vereadores petistas eleitos no Estado

Felipe Werneck e Wilton Junior, Agência Estado

03 de dezembro de 2012 | 20h17

RIO - O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou nesta segunda-feira, 3, em discurso que "não dá para avançar no Brasil sem uma reforma do Estado que pegue a questão da mídia monopolizada e o Judiciário conservador". Segundo ele, "não é possível ter mais democracia no Brasil com o atual sistema político eleitoral, sobretudo se não se conquistar o financiamento público de campanha".

As declarações do presidente do PT foram feitas durante encontro de prefeitos e vereadores petistas eleitos no Estado do Rio com o pré-candidato ao governo estadual, senador Lindbergh Farias (PT-RJ). No discurso, Rui Falcão disse que a "oposição real é aquela que reúne grandes grupos que se opõem a um projeto de desenvolvimento independente, que se opõem ao avanço da revolução democrática e que têm, para vocalizar seus interesses, uma certa mídia que tem partido, tem lado, e que permanentemente investe contra nós".

Neste momento, ele foi interrompido por uma mulher da plateia. "Porque são financiados por esses grupos", disse ela. "Era exatamente isso o que eu estava dizendo; obrigado, companheira", completou Falcão. De acordo com o presidente do PT, os embates que estão em curso - contra o "núcleo do capital financeiro", entre outros - mostram qual é a oposição realmente existente no País. "Não são DEM, PPS e PSDB; esta é a oposição partidária, que sofreu dura derrota no último pleito", discursou. Outro "embate" destacado pelo petista foi a questão da medida provisória para baixar o preço da energia.

Falcão disse que os dez anos de governo petista precisam ser marcados pelo lançamento de uma campanha de iniciativa popular para "conquistar a reforma política eleitoral, envolvendo o povo nessa questão". "Vamos entrar em 2013 nessa conjuntura de embate, o que requer um duplo movimento." Primeiro, disse ele, é preciso dar sustentação ao governo. "Ao mesmo tempo, temos que criar as bases materiais, a correlação de forças na sociedade, para que possamos avançar ainda mais. Afinal, em 2013 se completam dez anos do modo petista de governar. Foram muitas transformações, mas ainda há muito por fazer."

O encontrou reuniu 11 prefeitos, 12 vices e 84 vereadores, além de membros das bancadas federal e estadual. Depois da reunião, o presidente do PT afirmou que o partido não está envolvido nas acusações da operação Porto Seguro. Em relação a filiados, disse que, se comprovadas as denúncias, o PT adotará - "no momento propício" - medidas disciplinares previstas em seu estatuto e código de ética, inclusive a expulsão. "Lamentamos que alguém que estava em um posto de representação do governo federal possa ter dado margem a esse tipo de fatos que a imprensa vem revelando a partir da investigação da PF. O PT não convalida nenhuma política desse tipo. Ninguém mais do que os governos Lula e Dilma combateu mais corrupção e tráfico de influência, reforçando a CGU e reaparelhando a PF, que tinha sido desmontada pelos governos anteriores."

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