Rui Costa, da BA, critica possível vitória de Aécio

A seis dias da eleição presidencial, o governador eleito da Bahia, Rui Costa (PT), considerou que uma vitória do candidato Aécio Neves (PSDB) seria "péssima" para o Nordeste, podendo acarretar uma possível desindustrialização na região. Em entrevista ao Broadcast ao Vivo, nesta segunda-feira, o petista analisou uma possível vitória dos tucanos no próximo dia 26, quando ocorrerá a votação do segundo turno.

ERICH DECAT E NIVALDO SOUZA, Estadão Conteúdo

20 de outubro de 2014 | 14h21

"Considero péssimo não só para Bahia como para o nordeste brasileiro (a eleição de Aécio). Se fizermos uma fotografia do Nordeste de 15 anos atrás com o de hoje, as diferenças são gritantes", afirmou o petista. "A economia, a empregabilidade e o dinamismo econômico da Bahia e do Nordeste mudaram radicalmente (no governo PT). Por isso, eu tenho a nítida compreensão de que, com a eleição do candidato do PSDB, isso não se manterá e haverá um retrocesso."

O governador eleito cita como exemplo a guerra fiscal envolvendo Bahia, Minas Gerais e São Paulo. "Um exemplo disso é a perseguição que o Aécio, quando era governador, depois o sucessor dele (Antônio Anastasia) e mesmo o governo de São Paulo fazem com a industrialização da Bahia e do Nordeste. É o caso concreto da Ford na Bahia, que eles insistem em não reconhecer os incentivos fiscais e cobram, judicialmente, uma suposta dívida dos carros que são vendidos para Minas e São Paulo. Isso é uma nítida tentativa de fechar fábricas na Bahia e no Nordeste", ressaltou.

Duto

Apesar das críticas ao PSDB, o governador eleito afirma que, caso o tucano seja eleito, irá cobrar o que é de "direito" do Estado na área dos investimentos em obras e infraestrutura. O petista também rebateu críticas do atual prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). Em entrevista ao Broadcast Político, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, no último dia 9 de outubro, ACM Neto afirmou que o modo de governar do PT na Bahia é "truculento", recorrendo ao uso "intenso da máquina" para se manter no poder.

"Ele aqui, como prefeito da cidade, desvia, através da publicidade, uma verdadeira fortuna para o seu jornal, as suas rádios e para a filiada da Globo via verba de publicidade, como o Aécio fez em Minas. É na verdade um duto que sai da prefeitura e vai direto para rádio, jornais e a TV, que é de sua propriedade. Nós sempre perguntamos se eticamente isso é correto", atacou.

Rui Costa minimizou, entretanto, um possível impacto eleitoral das declarações da presidente Dilma Rousseff, que admitiu no último sábado, 18, ter havido desvio de recursos na Petrobras, no esquema coordenado pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa. O mesmo tom foi usado pelo petista ao avaliar a operação da Polícia Federal realizada no dia de hoje, que desarticulou uma quadrilha que atua em fraudes de licitações de órgãos públicos federais. Foram expedidos seis mandados de prisão temporária e 14 de busca e apreensão.

"Acredito que não terá impacto, porque pessoas boas e que fizerem coisas erradas têm em todos partidos políticos... Acho que toda a generalização não ajuda a separar o joio do trigo. O que temos que reforçar são as instituições, como ao longo dos últimos anos tem sido feito.

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