RUDÁ RICCI

SOCIÓLOGO, CIENTISTA POLÍTICO E DIRETOR DO INSTITUTO CULTIVA

O Estado de S. Paulo

13 Abril 2015 | 22h59

As manifestações diminuíram por dois fatores: o “timing” ruim – as de domingo não foram tão próximas das de março que continuassem na onda emocional, nem tão distantes para que se considerasse necessário uma volta – e o afastamento do pensamento médio do brasileiro. Essa segunda é mais grave e me faz projetar que esse tipo de protesto se esgotou ontem. Foi um sonho de uma noite de verão.

Os manifestantes destilaram ódio e perfil beligerante. As pesquisas são fartas em revelar que o brasileiro odeia o extremismo. O perfil médio nos protestos indica faixa etária de 50 anos, renda alta e eleitor de Aécio Neves no ano passado. Em vez de falarem para fora, se isolam mais. Não têm tradição de dialogar com outros segmentos sociais. 

O problema não reside na questão governo versus não governo, porque já está claro que a ampla maioria dos brasileiros está contra Dilma Rousseff. O que existe é a população não se ver representada por interesses partidarizados, por sindicatos, igrejas. É o movimento de enxameamento de que se fala nos Estados Unidos e na Espanha.

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