Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ruas reforçam apoio total à Lava Jato

Em cartazes, faixas e até boneco de carnaval, manifestantes exaltam trabalho do juiz Sérgio Moro, assim como da PF e da força-tarefa

O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2015 | 22h27

A bandeira da rejeição aos atos de corrupção envolvendo políticos erguida pelas manifestações de ontem teve um símbolo praticamente unânime. O juiz Sérgio Moro foi homenageado e citado em faixas e cartazes, assim como a Operação Lava Jato, pela qual é responsável na Justiça Federal do Paraná, e a Polícia Federal.

Não foram poucos os manifestantes que trataram o magistrado como “herói nacional”. Também em discursos pelos carros de som em São Paulo, Rio e Porto Alegre com elogios a Moro pela condução da Lava Jato, operação que investiga o esquema de formação de cartel e pagamento de propina a agentes públicos na Petrobrás. A força-tarefa do Ministério Público Federal que atua no caso também foi citada de forma elogiosa.

“É o trabalho de gente como o juiz Moro que vai limpar o País desta praga que se chama corrupção”, disse o aposentado Arthur de Oliveira, que foi ao protesto da Avenida Paulista. Ele e o irmão, Antonio, carregavam uma foto do magistrado com os dizeres “Juiz Moro, heroi nacional”. “Temos que deixar ele trabalhar”, completou Antonio. 

No mesmo ato, com o cartaz “Moro é herói nacional”, a psicóloga Andrea Mattos, de 56 anos, diz que “votaria no juiz se ele se elegesse”. Ela acredita que, “se os políticos não tivessem foro privilegiado, já estariam presos”.

Moro é responsável por autorizar ordens de busca e apreensão da Lava Jato, assim como os pedidos de prisão temporária e preventiva (sem prazo determinado) dos investigados. Essas decisões do juiz levaram para as celas da PF no Paraná ex-diretores da Petrobrás, ex-deputados e dirigentes das maiores empreiteiras do Brasil.

A comerciante Cleide Rodrigues dos Santos, de 41 anos, comparou o trabalho de Moro ao do ex-ministro Joaquim Barbosa, que foi presidente do Supremo Tribunal Federal e relator do processo do mensalão. “Hoje o Moro luta para limpar o Brasil da bandidagem como o ex-ministro Joaquim Barbosa tentou fazer antes de ser ‘queimado’ pelo PT”, disse. 

Em Brasília, a dona de casa Olga Hermeto, de 83 anos, e os filhos Henrique, de 53, e Ana Maria, de 52, foram à Esplanada dos Ministérios com placas com o nome do ex-presidente Lula ao lado de grades de prisão e a expressão “Je suis Sérgio Moro” (“Eu sou Sérgio Moro”), expressão de apoio cunhada após o atentado de extremistas islâmicos contra o semanário francês Charlie Hebdo. 

A mesma placa trazia o nome do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao lado de um ponto de interrogação. “A gente está sem saber o que ele vai fazer”, disse Olga. “Espero que ele tome uma posição mais clara”, pediu Henrique. Janot é responsável pelas investigações de políticos com prerrogativa de foro.

Em Porto Alegre, os manifestantes saudaram a Lava Jato quando o grupo já havia deixado o Parque Moinhos de Vento, conhecido como Parcão, e passou na Avenida Ipiranga, em frente do prédio da Superintendência da PF no Rio Grande do Sul. Os manifestantes que estavam nos carros de som puxaram os aplausos e disseram que o trabalho da Polícia Federal “independe” do governo e é motivo de “orgulho nacional”.

Boneco. No Recife, foi feito um boneco gigante de Moro no mesmo estilo das peças que são usadas no carnaval da vizinha Olinda. Vestido com uma toga e segurando uma mangueira (em alusão as mangueiras utilizadas em lava jatos), o boneco virou atração do protesto. Manifestantes paravam para tirar fotos com o “Moro gigante”.

“Eu adorei esta ideia. Ninguém melhor para ser homenageado hoje no Brasil do que o juiz Sérgio Moro. Ele é um herói nacional”, disse a economista Flávia Guerreiro.

Com o apoio popular à Lava Jato, em diversos protestos houve coleta de assinaturas em apoio às dez propostas de combate à corrupção levantadas pelo Ministério Público Federal. Procuradores que atuam na investigação da corrupção na Petrobrás defendem publicamente as medidas.

O cozinheiro André Felipe Pereira disse ter assinado o documento mesmo sem conhecer as propostas, pois quer o fim da corrupção e “confia no juiz Sergio Moro”. / VALMAR HUPSEL FILHO, DANIEL CARVALHO, BEATRIZ BULLA, GABRIELA LARA e MÔNICA 

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